Friday, November 10, 2006

oh my gosh!




o homem busca um ser superior porque olha a sua volta e não entende nada.

– "devia haver alguma lógica aqui"– pensa ele – já que seu meio de comunicação com o exterior é através do cérebro e órgãos periféricos, ditos de sensações, e aquele, como estes, exigem uma ordem.

"ordem", do latim: a disposição dos fios na teia de aranha.

e enquanto a aranha tece sua teia e janta moscas, o homem tece conjecturas e apanha deuses.

talvez eles queiram existir. buscaram dentre as espécies em evolução a mais pelada, a menos inteligente, plenamente predadora e contraditória, constituida de seccionados hermafroditas em constante busca do que já possuem. enfim, tolos. e nesses insuflou um sopro de vento –que ainda lhes infla o ego e preenche as cabecinhas rotas– na expectativa de que, através de suas existenciazinhas non-sense viessem a habitar o tal planetinha azul, minúsculo no sisteminha solar da borda da galaxiazinha que fica lá pros lados dos subúrbios do universo.
minúsculos deuses.

mas quem poderá culpá-los, os homens, por desejarem ser algo além de um processo em evolução e em constante risco de extinção, de se sentirem importantes diante de tamanha falta de educação do bigbang? nem nos convidou a opinar! teríamos escolhido "não" à questão: "vc concorda ou discorda com o início da criação universal?"
(...se bem que um "talvez" nos teria colocado em suspensão animada ad eternum...)

estivéssemos sobre as costas de elefantes no casco da grande at'uin teríamos pelo menos o digno senso de loucura como guia em lugar da sensatez, que de sensata nada tem, já dizia oscar wilde.

...já as mulheres têm outras divindades....


* * * * *

obrigada pelos peixes.

Thursday, October 12, 2006

hurley or sawyer?



acho que posso ver a mulherada soltando gritinhos de prazer ao acompanhar, separados apenas por uma fina lâmina de vidro e milhares de quilômetros de oceano, o gato de lost. com sua barba de dois dias sempre por fazer, sorriso de canto de boca, olhos semi-escondidos sob rebeldes mechas de cabelo, é o protótipo do adorável canalha. maravilhoso de se ver mas arrasador se encontrado na vida real.

mas eis que outro personagem muito menos atraente acabou por se fazer mais presente no "coração" das fãs : hurley, tipo despretencioso, afável, sempre acompanhado de suas baladas, veio apontar uma mudança significativa na preferência feminina : o homem sensível em lugar do badboy.

quem diria que eu veria esse dia.


* * * * *

we might kiss when we are alone
when nobody's watching
we might take it home
we might make out when nobody's there
it's not that we're scared
it's just that it's delicate
(damien rice :: delicate)


my very soul



sabe o que é melhor na paixão? é a sensação de estar absolutely fulfilled com música.
talvez faça tremular o coração, talvez massageie o chacra, quiçá o ego... por aí.
mas o amor não costuma vir acompanhado de trilha sonora. nop.
isso eu preparo no media player, na esperança de alcançar algo mais, vai que afinal não tenha chegado ainda o fim da longa estrada do desconhecido interior que nos acompanha desde cedo e faz a graça de viver.

a incerteza, at all.

então posso percorrer meus corredores com um violão ao fundo, e o dedilhar do teclado como quem soa castanholas.
mas o amor é feito de pratos lavados, filhos banhados e adormecidos, silencio raro, um pote na prateleira da cozinha onde se coloca um pouquinho todo dia : um pouco de paciência, um tanto de respeito, outro de admiração, uma briga boa com pazes e beijos, preocupações e dívidas, idéias revolucionárias de vez em quando.
seria fantástico se fosse sempre a paixão avassaladora. no entretanto, depois de uns meses ou anos, nos avassalaria finalmente.

sabe o melhor da música? é capaz de nos rechear de sentimentos e nos fazer voar, mesmo quando a vida vai calma e nossos pés estão no chão. então podemos ser o que quisermos sem chão, sem realidade, apenas som.


* * * * *

...and then they heard thunder without sound!


Thursday, September 07, 2006

tatoos



lia dia desses um texto escrito por uma jovem -e vc sabe que a idade chegou quando se refere a alguém com mais de cinco anos dessa forma- que me surpreendeu. era duro, seco, muito grosseiro. e fiquei pensando que eu não sou assim, nem jovem nem grosseira, e que meus filhos estão crescendo para se viverem como aquelas palavras descreviam o amor, algo como uma experiência ameaçadora a qual não se evita baseado apenas nisso. mas apesar de estúpido havia lirismo -ora quem diria- na pontuação. uma respiração antes da palavra fatal, um ponto de afirmação na separação inequívoca do meu e do teu, o suspiro de desalento (e esperança) nas reticências... a gente sabe que a pessoa tem consciência da mutabilidade de todas as coisas pelas reticências

não há como evitar a pontuação, ela se insere no texto como na vida, deixando para trás as palavras doces e acrescentando novos significados aos silêncios quando não se pode deixar claro o que se sente, sob pena de ter-se diluído na fantasia de outrém. novos tempos.

o tempo não pode ser recuperado. apenas as lembranças nos apontam para o que se era e pretende supor o que será. já não pertenço a este tempo, das palavras cruas, nem a esse lirismo pueril que ainda crê. me insiro numa lacuna de memória, onde a história está gravada de forma invisível aos olhos despreparados. apenas aqueles que percorreram esse mesmo interstício, que atravessaram a lâmina das eras, podem reconhecer a linguagem cifrada que se delineia em tatoos levíssimas, coloridas com a mesma cor da carne, esmaecidas com a tonalidade dos dias que passam e que revelam, apenas aos olhos aquiecentes e desiludidos, as dores. em linhas frouxas a angústia da perda, em linhas sutis as esperanças esquecidas, em tênues mas disfarçadas a ansiedade do nascimento de outros jovens que, com suas palavras duras, secas e grosseiras desenham um mundo novo sobre os fósseis do que foi um mundo novo um dia.
é a renovação da vida.

seria desejável que todos os velhos, com suas biografias hieroglíficas, perecessem de uma só vez, na explosão de uma bomba de prótons específica? então estaria o mundo renovado, sem a ambição das infâncias mal-resolvidas, dos amores primeiros fracassados, que se traduzem continuamente em ânsia desmedida de poder. seria?

talvez não haja como apagar os vícios inseridos nos gens, nas lembranças remotas, nos esquecimentos que jazem em pântanos inacessíveis de todos os toques, olhares, sussurros...

em momentos jovens se tornariam velhos e novamente suas inscrições de carne estariam a lhes mostrar que duros, crus e grosseiros somos todos sob o verniz diáfano de nossa civilidade duvidosa.

mas chega este momento quando olho para minhas mãos, que foram lisas e coloridas, e vejo nelas o dia em que meus filhos nasceram, com toda a ansiedade de que nascessem bem e fossem felizes. são essas linhas aqui, vê? que desenhei torcendo os dedos enquanto preparavam a sala de parto. e há outras tatoos em meu rosto que leio como quem lê um pergaminho antigo, encontrado entre ruínas esquecidas, como um tesouro. e nele, todas as histórias que apenas eu sei.

Friday, August 04, 2006

47


haverá um lugar quentinho, de preferência perto do fogão, onde uma criatura com razoável conhecimento, razoável senso crítico, razoável erudição possa aquecer as mãos frias nesse inverno da nossa desesperança? parece que não.
a razão assumiu ares de deidade, o conhecimento é vomitado como carne velha, a linguagem, em lugar de unir, separa. chama-se a isso intelectualidade. nós, pobres párias, que não somos burros nem carregamos nossos títulos pendurados no pescoço estamos a morrer à mingua, num deserto de simples sanidade. o emocional, hoje, importa mais do que durante os anos macartistas. histeria absoluta, onde a palavra mais comprida ganha os louros.

apesar disso, dois capítulos postados na floreios e borrões. finalmente larguei de mão aquele guri xarope e consegui juntar explicações plausíveis para toda aquela gente que insistia em sussurrar na minha orelha, querendo fazer parte da história. hogwarts, a history - part ii mostra de onde veio sigurd, porque se meteu na história e que importância terá para o desenrolar da trama em half-blood prince. se vc nunca se perguntou de onde surgiu o avada kedavra, não leia. até porque ainda não tenho uma resposta :P mas na bretanha pós-arturiana, gente de longe vem construir uma trama que desembocará no mistério dos horcruxes. talvez. se eu tiver tempo de escrever.

mas coincidência é coisa triste. estava eu a ler naked empire, de terry goodkind (sim, sou viciada nessa série também) quando me deparo com quem? com quem? o famigerado guri : owen. que pentelho, se metendo nas histórias dos outros também. fica na ilha, owen! >:(


* * *


(nem ia citar o assunto, me fazendo de desentendida, mas não pude evitar)

;)

Tuesday, July 25, 2006

escrevendo-endo-endooo.....




pensando bem, nem está tão bom. mas às vezes me empolgo com uma idéia e ela passa a viver na minha mente como dona, muda os verbos de lugar, distribui toalhinhas de crochê pelas citações e ainda reclama do excesso de advérbios espalhados pela sala. ah, mulheres...

mas sempre tem uma alma boa a nos tirar os dedos dos olhos e mostrar com uma chaminha trêmula o caminho:


se alguém acha que estás escrevendo muito bem, desconfia...
o crime perfeito não deixa vestígios.
(mario quintana)

meus crimes estão por toda parte e não se restringem a ficar nos armários fechados do anonimato doméstico. se fazem públicos e impudicos. que diria a avozinha se soubesse que a menina se tornaria underground e disporia suas sandices online, pra todo maluco ver?... iria querer um blog também pra ela, se bem conheci minha avó.

mas a menina cresceu e o vocabulario também. agora, essas palavras se divertem em circos improvisados, picadeiros de assuntos correntes, trapezistas de suas significações. nada como fazer da cabeça um circo eterno, analisando o dia com olho de bobo da corte e língua de vizinha, pelo puro prazer de conviver com criaturas -as sereias visíveis do pessoa- que não vivem para consumir mas para traduzir.

* * *

(disse ela, morrendo de sono)







Wednesday, July 12, 2006

de bunny em bunny...




eu escrevo bem. talvez não atualmente, talvez não sempre, talvez até nunca mais. mas estive relendo uns textos que escrevi ano passado e, meu amigo, são bem legais. esse é o bloody problem com a erudição, quanto mais ela entra, mais espontaneidade sai. bom mesmo nessa vida é ser ninguém. coisa que aliás eu sou mas, com os elogios dos amigos (radek e marla são os culpados, dirijam a eles suas ganas), meu ego começou a ficar superalimentado. hora de regime e clausura. voltemos, nós o povo blogante, a escrever como se não houvesse amanhã. se vc acabou de acessar este site, passe no antigo blog, "bunny" para os íntimos e os orelhudos. não é site pornô, i promise. sorry, by the way.

" forever in my heart

ontem eu estava pensando sobre literatura e que nunca fiz nenhum movimento em direção a realizá-la como ofício, de nenhuma forma. embora tivesse inclinação e até vocação, por um desatino fui cursar arquitetura, coisa que mais adiante constatei: nada a ver. mas hoje vejo que o descaminho acabou por me trazer um benefício extraordinário e duradouro. muitas vezes não vemos como um erro possa resultar em um acerto. assim, o tempo vem por nos mostrar isso, mais dia menos dia. ou não. podemos estar tão cegos e surdos (e disso entendo bem) que não reconhecemos a cara da felicidade quando a encontramos. eu tive a felicidade de não saber nenhuma regra da língua, não ser capaz de cumprimentar uma sintaxe, ou de ver estrutura gramatical nem que ela me abrace em plena rua. sou ignorante de tudo e todos que transitam por esse metiêr, não faço idéia do que signifique lingua morta (todas as línguas estão vivas!... não?), figura de linguagem, metáfora ou eufemismo e nenhum significado me tem os períodos estilisticos. me foi dado, na mais completa escuridão intelectual, usufruir da escritura como uma dádiva.

tivesse eu feito com a literatura o que fiz com a arte, dissecá-la, esquartejá-la, compará-la, defini-la, categorizá-la e finalmente, num arroubo de crueldade, inserí-la no complexo contexto do sistema de artes plásticas, aí sim, meus amigos, a literatura estaria tão morta para mim quanto a arte está. ela, que iluminava meus dias e era trilha perigosa mas certa de encontrar sentido, valor, perguntas sem fim, respostas quase inaudíveis, eterna fonte de alívio... e então hoje a vejo -ninfa etérea, donzela medieval à janela que era, dor indizível a percorrer ruas sujas, única voz que foi dada ao meu deus e que eu ouvia- morta, estendida sobre a mesa limpa, adequada e ordeira, fruto da razão e do questionamento intectual (para que explicações se a existência permanece um mistério?). não façam isso em casa, meninos e meninas. não matem seus sonhos tentando entendê-los, não vilipendiem o sublime com questionários uniformes, não delimitem seu vôo, ou incorrerão no erro irreparável de vê-los mortos para sempre.

mas a literatura, essa sim, ainda freme dentro de mim, sinto suas asas me roçarem o rosto quando uma palavra que não esperava ali estivesse ali está, criando um mundo de alternativas inimagináveis. quando uma frase encadeia palavras simples que, reunidas, iluminam o mundo, como um bom avatar o faria num dia bom. e quando um texto diz muito mais, a cada dia muito mais, como somente o amor o faz, e escava trincheiras, abre percursos de mineração, remove as montanhas de estupidez que acumuladas como tesouro por tanto tempo. não olho para fora pois as palavras criaram um nicho de recolhimento permanente em meu coração. e as palavras iluminadas me mostram um caminho invisível aos olhos cegos de quem pensa que pensa, pois o pensamento categórico obnubila e afasta o homem de sua natureza líquida, conjunta, numinosa, atemporal. e por reconhecer numa outra alma a minha, por ser capaz, em alguns momentos, de contemplar a absoluta grandeza que certas criaturas adquirem, sua relevância e a tranformação perene e tranquila que realizam, sem esforço, no espírito dos homens, é que amo o renato russo. and he lives forever. in my heart."
(maio 05)

não procure sentidos não não estão. mas o texto é oportuno pois redescobri a delícia de ser escrava de seres imaginários, alguns amigos outros nem tanto. continuo, por mais absurdo que seja e por minha própria culpa, admirando slytherin. mas isso é outra fic.



* * *


carpe diem does not mean fish of the day

:)

Thursday, June 29, 2006

de camelos e magos



em o nome da rosa william de baskerville tenta salvar o livro da comédia (ou do riso), de aristóteles, do rancor de jorge, no mosteiro de ... blá (não lembro o nome dos mosteiro nem ninguém lembra, pelo que pude depreender da pesquisa que fiz na net). o livro muito provavelmente nunca existiu, o que não faz nenhuma diferença pois a idéia de que pudesse ter existido acaba por construir uma ilha crescente de possibilidades, tal um ramo novo a despontar de árvore velha.
lá mesmo umberto eco diz stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus, ou seja, "a rosa antiga permanece no nome, nada temos além do nome", numa referência às coisas que deixam de existir ou que nunca existiram mas mesmo assim deixam atrás de si um nome.

nesse sentido, o mal-entendido resultante de traduções intempestivas, equivocadas ou tendenciosas se manifestam como um elemento criativo na linguagem e no imaginário.
o mundo pode ser um lugar criativo, desde que vc se permita existir nele sem excessivo rigor. existem aqueles mal-entendidos que levam ao rompimento , outros à tragédia, mas esses são coisa de gente destrambelhada. não é o caso.

um equívoco de tradução criou uma das imagens mais interessantes com a qual tomei contato: mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico alcançar o reino dos céus. é uma máxima que aparece na bíblia, onde a palavra referente a corda foi traduzida como camelo. mas a idéia de um camelo esgueirando-se pelo buraco da agulha, encolhendo barriga e corcovas é, mesmo involuntariamente, um belo retrato do absurdo que beira um koan.

lembro de um livro que li ano passado, wizard's first rule, de terry goodkind, onde havia uma passagem que, na falta de vocabulário adequado (já que meu inglês é pobre de sarjeta), acabei interpretando de forma completamente errada.

seguia o protagonista por uma terra árida quando encontra uma região onde o chão estava coberto com os ossos de todos os reis do passado. não era isso. na verdade pendiam alguns esqueletos de árvores próximas, de alguns reis do passado. não existiram tantos reis que pudessem vir a cobrir toda uma extensa área com seus ossos, constatei a seguir, corrigido o engano. mas foi uma pena, pois a imagem que o erro proporcionou era muito mais forte do que a original. imagem não verdadeira mas muito mais dramática. como o camelo, que tenta atravessar pela agulha que, a bem da verdade, pertence à corda.

as coisas inexistentes tem forte apelo, como se estivessem encostadas na lâmina negra que separa os mundos, a espera da palavra libertadora, aquela a lhes dar nascimento. como os seres absurdos de daniel senize, aguardam, também eles, a palavra perfeita.


¬¬


stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus. no caso, imago.

*

Wednesday, May 17, 2006

hogwarts, a history II - the mission



comecei a escrever uma continuação para hogwarts, a history, fanfic que escrevi ano passado por influência de meus amigos inomináveis (que por sinal teve NOVE leitores na floreios e borrões!), mas como sempre os personagens tomaram conta do rumo da história e já não é tão simples como parecia. era pra ser uma historinha singela, sem pretenções a best seller mas basta digitar a primeira letra e pronto. me vejo vasculhando as ilhas de orkney, onde a ação invariavelmente acaba se desenrolando, tentando encontrar o elo perdido entre todas as obras de ficção fantástica. um absurdo, uma doença. não que eu queira, é orkney que me chama. cale-se, orkney! não tenho grana para ir te visitar.

mas aí que o óbvio é ululante -coisa perfeitamente idiota para qualquer obviedade, ficar se comportando como lobos- embora meus personagens (ou seria eu a ghost writer deles?) queiram viver naquela terra monolítica e arcaica (ficaria bem arcana aqui, mas não sei o que significa), não tenho conhecimento do lugar. não posso simplesmente colocar o pobre owen pegando um barquinho e indo até a vanishing island porque, embora me pareça bem pertinho, logo ali, é no meio do oceano. diabos. maldito guri que não fica quieto no castelo quentinho que arranjei pra ele.

mas owen não tem profundidade alguma. nem coerência. é verdade que é adolescente mas isso não importa. me recuso a dar mais uma dedada no teclado enquanto ele não disser a que veio e qual o relacionamento dele com os fundadores de hogwarts. ou não faz sentido chamar isso de hogwarts, a history – second part.

no mais, não há mais. os dias passam rápidos que nem os vejo e as noites são curtas depois dos quarenta. tivesse aprendido high d'hara teria com o que me divertir tentando traduzir as aventuras de bonnie day para klingon.


* * * * *

Fuer Grissa ost Drauka rlz!

Sunday, April 30, 2006

bla-bla-blá de tpm



estou extremamente mau-humorada. é possível que isso aconteça periodicamente mas não estou nem aí. me sinto hoje como house: humanidade: distância, por favor! há um abismo intransponível entre como as coisas são e como gostaríamos que elas fossem. frase do house. esse abismo se agiganta incrivelmente quando me deparo com criaturas insuportáveis, que perturbam minha paz interior. o maior problema é que o abismo grita.
geralmente essa criaturas aparecem no trabalho, onde não posso selecionar quem virá me incomodar. em casa posso. então me tranco em casa pra não olhar o mundo por algum tempo e tratar de esquecer que ele está infestado das mais asquerosas criaturas. quanto mais leio, textos sensíveis e profundos, de gente com o dom da palavra, mais vulnerável fico à sandice. menos tolerância tenho com a estupidez. mas é um sonho inatingível o resguardo do mal.

parei de ler jornais há alguns anos pois a desgraça era sempre a mesma. abandonei a tv aberta porque era uma ofensa após outra à minha inteligência. evito o contato com o público em geral dentro do possível. agora vou parar de ler. nunca mais lerei um livro na vida e concentrarei todas as minha energias em manter a casa limpa.

nas coisas simples a felicidade.

* * *

:( cada vez mais entendo alvo dumbledore.

Sunday, April 23, 2006

Uma noite de Sheherazade



Litro e Paica tinham o casamento perfeito. Confiança mútua, franqueza e honestidade, tolerância e afeto espontâneo regiam o relacionamento, que já chegava por agora a uma década.

Até aquela sexta-feira. Ah, as sextas-feiras... Promessas dignas das mil e uma noites, onde escravas lânguidas dançam a dança milenar sob véus translúcidos... Litro saiu para uma noitada com os amigos, devidamente regada a cerveja e pôquer, que prometia encontrar a manhã com muitos palitos de fósforo ganhos e uma sonora dor de cabeça. Coisa da boa.

Até que chegou a mensagem pelo msn, onde um amigo –parceiro da carpeta- perguntava se Litro chegara bem em casa. Estranho, pensou Paica, muito cedo para encerrar a pródiga noite, visto que pretendia encher as burras com fósforos. Era impressionante o que aquela casa consumia fósforos, ela pensou, e lembrou a avó que trazia escondidas as caixas nos bolsos do avental para manter sob férreo controle a casa, sempre à beira do caos sem essa sábia atitude. Muito cedo, mas logo deverá estar em casa, pensou, conferindo a hora e vendo que desde o envio daquela mensagem já se passara mais de uma hora. Paica se preocupou. Porque não chegara Litro ainda? Os motivos eram múltiplos e possíveis: ficara num boteco tocando violão e perdera a noção do tempo. Litro gostava da roda de cantoria, desde que estivesse bem-acompanhado da sua cervejinha. Depois fora colocar gasolina no carro e comprar um refrigerante pra enganar a ressaca e amolecer a patroa. Ela, pensava ela que pensava ele, não fica zangada se tiver um copo de coca-cola nas mãos. Depois, concluiu ela ainda, fora dar umas bandas pela cidade adormecida pra pensar na vida e fazer planos, experimentar o ar mais frio antes do amanhecer. Muito embora o ar da manhã na cidade seja tão poluído quanto o da noite ou de qualquer outra hora do dia. Nada como o ar da praia, pra onde iriam no próximo fim de semana.

O tempo passava e nada de Litro chegar. O relógio marcava seis da matina e a cantoria devia estar muito boa. Boa demais, rosnou ela diante do pensamento. Nenhum posto de gasolina levava mais de duas horas para encher um tanque e ninguém agüentaria aquele fedor de cidade cheia de lixo por mais de quinze minutos. Meia hora no máximo.

Paica intensificou suas preocupações e, das desculpas cândidas passou a motivos mais pungentes que justificassem a ausência do amado. Acidente, claro. Estava evitando aquele pensamento com todas as forças, mas ele vencera a resistência. Seu amado fora abalroado por um bêbado em alguma esquina quando voltava para sua amada e seus amadinhos, incluindo o cão. Uma desgraça era a explicação lógica. Devia ela ligar para o pronto-socorro? Estaria ele tão mal que não avisara pelo celular? Não tinha ninguém naquele maldito hospital pra avisar a esposa ignara e desgraçada do terrível acontecimento? Bastards! Mas isso a tranqüilizou, entrementes. Se não ligaram do hospital então não era muito grave. Umas escoriações e nada mais, nada que justificasse afligir a família. Logo Litro seria liberado e estaria em casa. Que merda. Logo agora que o carro estava sem seguro fora destruído. Paica afastou o pensamento, envergonhada de sua natureza vil, e o adiou para depois que Litro estivesse na segurança do lar. Depois se preocuparia com dinheiro, coisa ignóbil.

A manhã começava a despontar –pelo menos parecia, visto pela janela que ficava à sombra dos prédios, onde a luz hesitava em entrar... Paica começou a imaginar que, tivesse Litro feito todas essas coisas, mesmo assim já deveria ter chegado. Pôquer, rodada extra de cerveja, festa no boteco, posto de gasolina, banda pela cidade, acidente sem graves conseqüências... Por onde andava aquela criatura? Foi quando Paica, esgotadas as desculpas enriquecidas por detalhes indescritíveis, lembrou do sonho da noite anterior que lhe anunciara uma traição. Sonhara com aranhas e era sempre assim. Batata! Aranha, traição.

E as suspeitas inatas de qualquer mulher afloraram, em borbotões, após luta encarniçada: outra mulher.

Um caso antigo, mantido por desculpas furadas e pôqueres amigos e a cumplicidade dos parceiros, onde a paixão se impusera sobre a razão e a luxúria vencera o afeto e calor da família carinhosa e fiel... Isso e apenas isso configurava uma traição. Infidelidade era coisa menor, passageira, indigna de nota. Isso era resolvível, mas um affair... Ainda mais de longa data, isso era outra coisa muito diferente.

Todos os pilares do casamento perfeito estavam abalados. Onde ele conhecera aquela mulher? Na noite, num bar? Apresentada por amigos comuns? Não. Aquilo cheirava a coisa complicada: orkut. Maldito orkut, fonte de dissabores. Malditos os amigos do peito, sempre prontos para camuflar escapadelas e coisa pior, maldita a cidade, cheia de ar poluído em todas as horas do dia, maldito marido, que mentira descaradamente durante semanas! Semanas? Não! Foram meses, talvez anos de trapaças muito bem feitas, já que ela nunca desconfiara de nada, nenhum perfume estranho, fios de cabelo, bilhetes nos bolsos. Mas, não sabia dos bilhetes nos bolsos porque nunca vasculhara suas roupas, jamais procurara por louros e longos fios de cabelo, e o único perfume diferente era o da sogra. E ainda por cima a amaldiçoada destruidora de lares era loira! Loira burra, claro, um metro e setenta, cinqüenta quilos, vestida de rosa. Damn! Uma patty!

O sangue ferveu. Paica começou a ver toda sua vida se desenrolar diante dos olhos, por agora úmidos de lágrimas, como um filme de Stephen King. Admitia tudo, mas ser trocada por uma loira burra era demais. Ela, ruiva e inteligente, dedicada e gentil, sendo escanteada por um affairzinho comum era intolerável. Fosse uma criatura cheia de personalidade e cultura, que soubesse conjugar verbos e onde fica a Austrália, justificava-se. Mas aquilo!

Era tarde para procurar nos bolsos uma comprovação da traição. Naquela manhã mesma Paica alcançara nas mãos do marido –aquele traidor!- papéis que estavam no bolso da calça junto com uma moedas, sem nem olhar –sua burra!. Devia ser o comprovante do motel, ou do jantar regado a vinho chileno, ou coisa pior: ele levara a outra na churrascaria dos sonhos! Paica desejou gritar de ódio e mágoa diante da imagem da outra se refestelando na costela de doze horas, enquando Litro alegava estar sem dinheiro para levar ela, a mulher perfeita, no aniversário de casamento. Mas não gritou. Perdera a voz. Estava muda para sempre, como a mulher do Persona.

Exausta pela dor do engano, de perceber o quanto fora incauta em acreditar nas juras de amor eterno (essa era mesmo clássica), assombrada pelos delírios de tragédia, esgotada pelo tempo de espera, decidiu deitar-se e aguardar o futuro com mais energia. Afinal, toda sua vida mudara num instante. Precisava estar forte para criar os filhos sozinha, agora que o companheiro a abandonara por umazinha qualquer. Ele nunca mais voltaria.

* * *

Quando Litro chegou, alto pelo trago, desejava apenas uma cama e dormir. Nem sexo, se lhe fosse oferecido, teria aceito. “Amanhã”, diria, “com certeza”. A noite fora movimentada e divertida, mas era o bastante. Dormir, não mais. Era tudo o que queria e estava certo de que Shakespeare escrevera essa frase após uma noitada dessas.

Deparou com ela, uma vassoura na mão esquerda um rolo de macarrão na direita e ambas na cintura, lançando fogo pelas ventas e agitando as serpentes vermelhas que normalmente se disfarçavam em cabelo. Ai, pensou Litro. Mas não teve tempo de dizer nem pensar mais nada.

Lembra-se apenas vagamente de ter dado informações desencontradas “Onde eu estava? Dando banda pela cidade, fiquei com o Che até as cinco horas, estava com o Che até quinze minutos atrás, dei banda por mais de uma hora." Não fechavam. Ou bem uma coisa bem outra, not both of them. Foi-lhe ordenado deitar e dormir. Imagina, uma adulto sendo mandado pra cama. Traição? Litro balbuciou um “minha honra ofendida” mas não houve chance de defender sua honradez. A quantidade de álcool ingerida dificultava a velocidade e a precisão das explicações e, finalmente, abandonou a honra, a verdade e a vida em favor da cama que lhe chamava e oferecia um mundo de paz, envolta em véus diáfanos, languidamente tremulando entre edredons e travesseiros de penas de ganso.

O resto da história teria de ser contada noutra noite, se essa lá estivesse e o sultão permitisse.

* * *

Todo casamento perfeito tem dias de crônica do Verissimo.

* * *

Wednesday, April 19, 2006

amores de abril



há alguma coisa no abril. o primeiro frio traz sempre uma novidade, um desejo de trocar calor, um paixão junto com o vento. assim como a primavera desabrocha a vida em cores, o abril floresce de amor. não o maio das noivas, o junho das fogueiras, ou qualquer mês determinado para festejar uma coisa que nem se sente -há muito tempo o natal chega antes de eu estar pronta para findar o ano. o abril é o meu mês, o outono minha estação. sinto todas as nuances de amarelo.ouro.vermelho se espraiando nos ossos, nas carnes, na pele, e meus olhos anseiam todas as cores, todas as formas, todos os modos de amar.

estou amando de novo.

estou amando dave mckean. ele diz tudo o que sinto e aquilo que nem desconfio em imagens terríveis, deliciosas, extasiantes. tudo, menos fofo.

estou amando o photoshop cs por todas as ferramentas que ele coloca nas minhas mãos de aleijadinha pobre e tosca e sem talento e me ajuda a subir a montanha inacessível (para alguns) da sensibilidade.

estou amando o homem que escolhi. não é bem assim entre bilhões de criaturas encontrar a pessoa certa. é um golpe de sorte mais difícil que loteria. eu ganhei. SOZINHA!
e ele é meu.

ai. . . (sigh). . . é o frio. estou amando de novo :)

Wednesday, February 22, 2006

tired

há coisas insofismáveis. ainda estou para saber quais são elas pois leio, na internet, as razões mais absurdas para tudo. nada se salva. nada cala subitamente o ataque, o perjúrio, o descaso, a malícia. como não sou o ser mais dogmático do mundo, sempre dou uma chance pelo menos para que uma idéia nova se explique. entendo que o mundo pode ser um lugarzinho muito enfadonho se não permitimos que novidades surjam.
mas cansei de confabular. fui tomada de um cansaço inequívoco, um deixa-estar que me remete às leituras e bons silêncios cada vez mais raros. cansei de ouvir minha própria voz e de ouvir vozes outras tão semelhantes. tristes, zangadas, ponderadas, conciliadoras, revoltosas, diferentes e, ainda assim, tão iguais.

sinto uma sede de clareza sem objetivo ulterior, coisa que vislumbrei uma única vez, e seria complexo expor as circunstâncias do fato. mas havia naquela ocasião um despojamento tal que acalmou meus temores por muito tempo e ainda hoje é um cálice do qual bebo. com parcimônia, para não gastar. fonte limpa, sem marcas, sem projeções. apenas o instante absoluto.

para que tantas sinapses se não se pode simplesmente ser?

Wednesday, February 08, 2006

nothing...

... is ever easy.

dia de testes

teste 1 : quanto tempo vai durar este blog sem estourar, pifar, me evitar?
teste 2 : há de se dizer o que se sente?
teste 3 : a existência é isso : longo, enfadonho, sem múltiplas respostas e sem gabarito no final.