
eu escrevo bem. talvez não atualmente, talvez não sempre, talvez até nunca mais. mas estive relendo uns textos que escrevi ano passado e, meu amigo, são bem legais. esse é o bloody problem com a erudição, quanto mais ela entra, mais espontaneidade sai. bom mesmo nessa vida é ser ninguém. coisa que aliás eu sou mas, com os elogios dos amigos (radek e marla são os culpados, dirijam a eles suas ganas), meu ego começou a ficar superalimentado. hora de regime e clausura. voltemos, nós o povo blogante, a escrever como se não houvesse amanhã. se vc acabou de acessar este site, passe no antigo blog, "bunny" para os íntimos e os orelhudos. não é site pornô, i promise. sorry, by the way.
" forever in my heart
ontem eu estava pensando sobre literatura e que nunca fiz nenhum movimento em direção a realizá-la como ofício, de nenhuma forma. embora tivesse inclinação e até vocação, por um desatino fui cursar arquitetura, coisa que mais adiante constatei: nada a ver. mas hoje vejo que o descaminho acabou por me trazer um benefício extraordinário e duradouro. muitas vezes não vemos como um erro possa resultar em um acerto. assim, o tempo vem por nos mostrar isso, mais dia menos dia. ou não. podemos estar tão cegos e surdos (e disso entendo bem) que não reconhecemos a cara da felicidade quando a encontramos. eu tive a felicidade de não saber nenhuma regra da língua, não ser capaz de cumprimentar uma sintaxe, ou de ver estrutura gramatical nem que ela me abrace em plena rua. sou ignorante de tudo e todos que transitam por esse metiêr, não faço idéia do que signifique lingua morta (todas as línguas estão vivas!... não?), figura de linguagem, metáfora ou eufemismo e nenhum significado me tem os períodos estilisticos. me foi dado, na mais completa escuridão intelectual, usufruir da escritura como uma dádiva.
tivesse eu feito com a literatura o que fiz com a arte, dissecá-la, esquartejá-la, compará-la, defini-la, categorizá-la e finalmente, num arroubo de crueldade, inserí-la no complexo contexto do sistema de artes plásticas, aí sim, meus amigos, a literatura estaria tão morta para mim quanto a arte está. ela, que iluminava meus dias e era trilha perigosa mas certa de encontrar sentido, valor, perguntas sem fim, respostas quase inaudíveis, eterna fonte de alívio... e então hoje a vejo -ninfa etérea, donzela medieval à janela que era, dor indizível a percorrer ruas sujas, única voz que foi dada ao meu deus e que eu ouvia- morta, estendida sobre a mesa limpa, adequada e ordeira, fruto da razão e do questionamento intectual (para que explicações se a existência permanece um mistério?). não façam isso em casa, meninos e meninas. não matem seus sonhos tentando entendê-los, não vilipendiem o sublime com questionários uniformes, não delimitem seu vôo, ou incorrerão no erro irreparável de vê-los mortos para sempre.
mas a literatura, essa sim, ainda freme dentro de mim, sinto suas asas me roçarem o rosto quando uma palavra que não esperava ali estivesse ali está, criando um mundo de alternativas inimagináveis. quando uma frase encadeia palavras simples que, reunidas, iluminam o mundo, como um bom avatar o faria num dia bom. e quando um texto diz muito mais, a cada dia muito mais, como somente o amor o faz, e escava trincheiras, abre percursos de mineração, remove as montanhas de estupidez que acumuladas como tesouro por tanto tempo. não olho para fora pois as palavras criaram um nicho de recolhimento permanente em meu coração. e as palavras iluminadas me mostram um caminho invisível aos olhos cegos de quem pensa que pensa, pois o pensamento categórico obnubila e afasta o homem de sua natureza líquida, conjunta, numinosa, atemporal. e por reconhecer numa outra alma a minha, por ser capaz, em alguns momentos, de contemplar a absoluta grandeza que certas criaturas adquirem, sua relevância e a tranformação perene e tranquila que realizam, sem esforço, no espírito dos homens, é que amo o renato russo. and he lives forever. in my heart."
(maio 05)
não procure sentidos não não estão. mas o texto é oportuno pois redescobri a delícia de ser escrava de seres imaginários, alguns amigos outros nem tanto. continuo, por mais absurdo que seja e por minha própria culpa, admirando slytherin. mas isso é outra fic.
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carpe diem does not mean fish of the day
:)
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