Friday, December 14, 2007

the tales of beedle the bard




leiloado o sétimo e último exemplar do manuscrito de jk rowling pela sotheby's, de londres.

the tales of beedle the bard atingiu a espantosa cifra de US$ 3.985.410, maior valor já conseguido num leilão por um manuscrito moderno e maior valor obtido em leilão por um livro infantil. os 4 milhões reverterão para o children's voice, fundação que apoia crianças deficientes.
as afirmações oficiais asseguram que the tales of beedle the bard não será publicado.
agora é rezar que uma das seis almas caridosas que receberam um exemplar ou a sétima que o comprou venha a publicar na internet seu conteúdo.

Monday, December 03, 2007

elders and newbies

so james potter and the hall of elders' crossing é uma fanfic muito boa. sou avessa a fics, a maioria é dolorosamente mal-escrita e não acrescenta nada à hsitória. mas esta, publicada com superprodução, polêmica e cercada de advogados esfaimados está, agora pelo capítulo terceiro e muito bem obrigado. O site é primoroso, bem humorado, cheio de cuidados de pro e o texto até se aproxima do de jk. percebe-se, evidentemente que não tem a mão dela mas é honesto. sugiro a leitura.

james potter and the elders' crossing.

e falando em mão dela, mais algumas imagens, para quem não viu, do catálogo de divulgação do leilão do manuscrito de the tales of beedle the bard.

the tales of beedle the bard.

após o encerramento da trama, ficam a saudade, os questionamentos e um olhar mais detido sobre o mundo que nos envolveu em encantamento por uma década. por conta disso está se iniciando um blog coletivo disposto a desvelar relações não-evidentes e instigar o leitor de hp a descobrir elementos invisíveis nos livros. radek, gabriel, gertie.k e outros ainda por vir.

omnioculars.

enjoy.

Monday, November 19, 2007

put the blame on mame ou 171

relíquias da morte lançado, tristeza por todo lado
as palavras se perderam, a magia e o significado.


forget it. nem pense em comprar esse livro maldito, feito com desprezo e indiferença. mais alguns anos uma editora de verdade compra os direitos, contrata um tradutor experiente e honesto e publica decentemente. nem vou começar a dizer da vergonha que é a rocco e essa tradução empurrada com a barriga, sem revisão, feita por uma pessoa que no mínimo perdeu o juízo. aposentadoria é a única solução quando uma tradutora que diz "traduzir cultura" diz que bogie é bicho-papão, faz a menina chapar um beijo e transforma em dementadores os death eaters.

nesses momentos, dizer o que? que devia existir um procon para leitores ludibriados por traduções toscas, feitas nas coxas, visando o lucro fácil e rápido.

porque não podemos receber uma tradução, singela que fosse, mas com um mínimo de cuidado?

aceitou-se a decisão de traduzir os nomes mas são necessários tantos erros, saltos, erros, esquisitices, erros, omissões, erros?

porque os leitores de harry potter não podem ler algo próximo daquilo que a autora escreveu? porque são jovens e jovens não merecem crédito? porque são crianças e crianças não são consumidores? porque são adultos envergonhados de ler uma série infanto-juvenil? porque são todos um bando de retardados e apenas nós, os editores, somos realmente espertos e merecemos todo o ouro desses idiotas?

pois é assim que a editora rocco trata seus leitores. como imbecis.

e virá a público dizendo que a culpa é dos leitores, nervosinhos, que não entendem a língua e querem dar pitaco na magnífica tradução da esclerosada tradutora. se darão parabéns e prêmios, beberão champagne e se chaparão beijos, enquanto chafurdam no nosso dinheiro e na sua ignomínia.

nunca, NUNCA MAIS compro um livro dessa editora. se estiver lá o selo, escolherei outro. se não tiver em português, comprarei em eslavo arcaico e aprenderei o idioma.

por conta da paixão de ler harry potter, burilei meu antes pobríssimo inglês e hoje posso acompanhar no original quando do lançamento. sugiro faça o mesmo. bons autores não podem ser destruídos por traduções vergonhosas como essa, feitas com o propósito do lucro fácil em detrimento da qualidade da obra e dos direitos dos leitores.



>:(

Saturday, November 17, 2007

games

um ótimo site com games, especialmente room escape games, com seus devidos walkthroughs e bons comentários :: casual gameplay




cool, ahn?

:)

o quarto

I expend all my quite few spare time in room escape games.
like this one bellow.
the author is a brasilian guy, andres calil. very good one, nice and beautiful.
go now.







Play O Quarto

:)

Tuesday, November 06, 2007

and so on




quando swift escreveu as
viagens de gulliver o fez visando expor o que entendia fosse a natureza e o caráter dos whigs, partido inglês conservador no poder na época. e o fez magistralmente, estendendo sua visão contestadora aos muitos seres que disputam a dominação e o controle dos recursos. foi dele a criação da expressão yahoo, selvagens que perturbavam a vida dos moradores eqüinos de houyhnhnms. passados os séculos, perdeu-se o foco político e o sabor de sátira , permanecendo a história fantástica dos muitos e diversos mundos encontrados por gulliver em suas viagens.

nesses dias, dumbledore is gay está dando o maior pano pra manga, ainda. vejo pelas comunidades e outras estâncias internéticas por ai que o assunto não encerrou nem há consenso; a tendência é de tolerância, embora haja -sempre há- os exaltados que aspiram jogar bombas de bosta na jk.

mas é preciso ver como ficará daqui uns anos essa obra que abrange 7 livros e uma década. agora a lemos paripasso com a publicação da obra, com reações online imediatas, mas em alguns anos ninguém lembrará do comentário dumbledore é gay, cairão no esquecimento os pitacos e entrevistas de jk. estas poderão vir a ser publicadas eventualmente, como foi feito com as anotações de tolkien, mas é coisa para hiperfã, nem todo mundo leu e nem todo mundo lerá.

a obra é o que ficará e o que está nos livros dará motivo para discussões -não tão ferozes quanto acontece hoje- sobre todas as peculiaridades dos personagens e da trama, independentes dos comentários extra-obra da autora. se perderá o contexto, permanecerá a trama.

como será essa leitura, a leitura da trama, quando ela não for acompanhada de dicas no site oficial ou pistas largadas em entrevistas, editoriais em sites de fãs e milhões de fanfics sendo devoradas nos intervalos das publicações. com dois filmes ainda por serem produzidos?

soubemos da morte de sirius por entrevista e não pelos livros. o véu jamais foi suficientemente explicado, como aliás os demais setores do departamento de mistérios, e a possibilidade permaneceu para muitos. assim com a morte de dumbledore que, até o encontrarmos no além através dos olhos de harry, permitia a consideração de ter sido forjada e quer logo o veríamos novamente. há acontecimentos na trama que agenciam especulações mesmo depois de encerrada a obra e fechado o livro.

eu faço essa leitura. e os novos leitores de daqui uns dez anos, farão de forma semelhante? encontrarão pistas outras tão bem escondidas que ludibriaram os milhões de olhares simultâneos que escrutinaram a obra com verdadeira fome de inteligência?

swift se queixava que não entendiam sua obra, especialmente aqueles a quem suas críticas eram dirigidas. mas esperar o que, já que eram liliputianos? hoje vemos uma multidão faminta de textos espertos e enigmas tentadores, cercados que somos pela mediocridade, numa era em que mediocridade atinge a velocidade da luz, enquanto na batcaverna seguem os liliputianos.

em 2020, i guess, saberemos a que harry potter veio.

* * *

no wise man ever wished to be younger
jonathan swift


:)

Saturday, November 03, 2007

living on a rubber baloon



então. quando eu tinha uns dez anos, perguntei para a professora se o brasil já fora unido com a áfrica. o motivo era óbvio, o recorte de ambos é idêntico, e a resposta foi é possível, não se sabe. achei tão estúpido, como podia haver dúvida? estava na cara, bastando ter montado uma vez na vida um quebra-cabeça. então, anos depois, surgiu -ou foi divulgada, o que vier primeiro- a teoria de gondwana, que depois se chamou pangéia, e finalmente alguém admitiu que sim, eram grudadas américa e áfrica. me parecia ainda mais estúpido, no entanto, que toda a terra tivesse se formado de um lado só e do outro água e água. devia haver uma explicação razoável mas vieram as promissórias, os filhos, o imposto de renda e parei de pensar no assunto. quase me tornei normal, diante da tv, planejando um futuro que, a bem da verdade, não existe, sonhando com coisas que não me fariam mais feliz e cheguei mesmo efetivamente a comprar um sapato ridículo, desse pontudos fashion, que só ficarão legais quando fizerem um curlz como os sapatos das bruxas. quase normal, fazendo orações e negociando com uma divindade duvidosa a salvação de uma alma imperceptível e desprovida de assombro, cheia de certezas, dogmas e opiniões formadas. quase normal, valorizando a mercadoria e aplicando bot-tira-expressão-tox e assistindo bbb. quase me increvi para um pós que não queria fazer, quase comprei um carro que não saberia conduzir e quase esqueci quem sou. mas olha, foi tudo quase.

mapa mundi, gondwana, pangéia... a verdade é que vivemos num balão.

PUF!


(sim, o puf acima é um link)
(by the way o boo abaixo tb é)



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by the way: boo!


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Saturday, October 27, 2007

dumbledore is gay

ok, e daí? umbridge transava com centauros, minerva era apaixonada por dumbie, sirius e lupin tinham um cacho e snape era virgem. só pode ser por ter acabado a série que a sexualidade e os affairs dos personagens tornaram-se foco de discussão enlouquecida por parte dos fãs agora órfãos.
também pode ser que jk tenha desejado tirar um pouco da modorra cristã que ficou com o indestrutível harry e sua ressurreição no deathly hallows e jogou um tanto de pimenta para conservar a essência rebelde que havia nos primeiros livros - que no final deixou a desejar, mas enfim seu serafim.

dumbledore é meu personagem preferido e o é porque fundamenta seu discurso num outro sábio com mais cacife. aristóteles bem podia ser gay -e não sei se era- mas como considerava as mulheres seres inferiores acredito que era enrustido. o que dumbie fazia nas horas vagas não me importa. mas o que acho de tão atrasado nessa história é que enquanto o personagem tinha tudo para ser hetero ninguém dizia nada. agora que é gay, pedras e flores. shit. nasci na era errada. pelo menos mais duzentos anos para estar de acordo com minha cabeça.

gambon, por outro lado, se verá redimido pois têm interpretado um dumbledore tao diverso daquele de harris que poderá se justificar dizendo que "já sabia". tsc, ora senhores.

mas a rocco -mais shit- diz que a tradutora traduziu bitch por vaca porque o mec compra os livros e não quer palavrão neles.
e vos pergunto:

e lá ministério tem autoridade para se meter em obra literária?

só em ditaduras. estamos em uma? tudo indica.

a ditadura da estupidez.

* * *

shit ao cubo.

>:(((

Saturday, October 20, 2007

radek




lá se vão muitos anos (3) desde que nos conhecemos e ensaiei diversas vezes escrever um testimonial sobre meu amigo radek – rodo, pros amigos; minister, pros inomináveis; algum diminutivo carinhoso, pra mãe dele– e nunca cometi a ousadia e/ou atrocidade. e vejo que o motivo nunca foi afeto de menos ou tempo escasso nem mesmo uma total incapacidade de domar palavras. é que o radek é especial.


agora procure seu dicionário de bolso –que certamente você carrega sempre à mão para a eventualidade de ficar de boca aberta– e escolha, entre os mais legais, uns duzentos que sejam realmente supimpas. nem chegou perto de descrevê-lo. é daquelas pessoas de quemm esperamos grandes feitos, próprios daqueles escolhidos pela varinha com cerne de fênix.


talento de sobra –pra tudo, como se talento viesse em todo mundo aos borbotões– a característica que mais aprecio, no entanto, é a facilidade com que reúne as pessoas a sua volta e faz com que elas se sintam também especiais. disso só os grandes são capazes.


beijos radek. penso sempre em você :)



* * *


puritanism : the haunting fear that someone, somewhere may be happy.
ahhahahahahahah


.

Friday, October 19, 2007

book covers




pra quem curte capa de livro –e já se pegou comprando livro pela capa–, estes sites são muito divertidos. nada de site sério. basta a vida e os investimentos mercadológicos.


flapart
nada mais que a verdade.

unintentionally sexual comic book covers
revisão, senhores, revisão...

hide your potter!
se vc gosta de hp mas tem vergonha de admitir, um discreto disfarce.


* * *


ai, ai, ganho pouco mas me divirto
:P



Saturday, October 13, 2007

Friday, October 05, 2007

42




então a gente se pergunta para que isso tudo. busca uma resposta nas religiões, na filosofia, nas drogas, no ascetismo, na cabala, na bebida, na lingerie victoria secret, nos papos de bar, na psicanálise, no prozac, no metal melódico, no capitalismo, no espiritismo e por aí vai. cansados do consumismo imediatista, dos shoppings e da beleza de cabide, espera-se que ao final dessa longa jornada de trabalho semi-escravo haja um bom motivo, pelo menos uma resposta mais-ou-menos que justifique todas as tardes chuvosas que não ficamos na janela olhando a chuva cair e enfrentamos o trânsito, o frio, o telefone, os aborrecimentos e tudo de novo na volta apenas para ganhar uns mirradinhos num trabalho que odiamos.
mas não há. lamento, não há um sentido pra vida. foi fortuito mesmo, um golpe de sorte ou de azar que nos colocou diante da possibilidade de aceitar o raciocínio como uma habilidade nova a ser desenvolvida. se tivéssemos feito a escolha mais sábia, seríamos orangotangos. mas não fizemos. escolhemos o fruto do conhecimento do bem e do mal sem direito a paraíso. somos como um jogo de moedas onde sorteamos o mais improvável e todas caíram com o desapontamento para cima. milhões de desapontamentos simultaneamente: uma improbabilidade estatística. agora, vagamos pelo universo totalmente sós e esperançosos de que, em outro canto da imensidão, outra espécie tenha feito as mesmas escolhas, tenha jogado as mesmas moedas com idêntica sofreguidão. pobre espécie essa, que torce para que outros - mesmo que tenham tentáculos e antenas ou oito olhos- tenham tido igual má sorte e estejam olhando para o céu nesse momento, imaginando - enquanto faz cálculos, cria teorias, confunde a realidade, cria padrões ridículos a serem seguidos como lei e leis para terem limites e alguma sensação de pertencimento- se existirão outros afortunados filhos de kzurcz perdidos no espaço.


* * *

Wednesday, September 19, 2007

no title yet




havia uma pilha de louça sobre o balcão da pia. pratos sobre pratinhos, sobre xícaras, sobre molheira, sobre pratos grandes, sobre copos, sobre pratos de sopa, sobre outra coisa. rosados, amarelos, azuis, brancos, mais brancos que outra cor, mantidos em frágil equilíbrio. mudos, antecipavam o momento que alguém se disporia a assumir a culpa. um movimento minúsculo daria início ao inevitável deslizamento da louça que se contorceria numa promessa de espetáculo e espalharia seus cacos por todo o piso de cerâmica. do barro ao barro. as colherinhas tilintariam pelo chão, dando a deixa para o choro incontível, que já era esperado. depois, os cacos seriam juntados e arrojados na lata de lixo, como estava escrito. nenhum lamento sobre a louça derramada, uma despedida quase zen.

mas era manhã ainda. talvez até a tarde a mandala de cacos viesse a se justificar.

Sunday, September 02, 2007

o verdadeiro epílogo!




vc já não precisa se sentir traído, miserável, deprimido e frustrado pelo epílogo de deathly hallows, aquelas míseras últimas páginas, estilo "rapidinha", que jk rowling brindou seus milhões de fãs depois de dez longos anos de devoção.


leia o verdadeiro epílogo, surrupiado pelo famoso Inominável J. Lestrange, que arriscou a vida e a impecabilidade de seus trajes para trazer aos fãs a legítima história, guardada na indefectível pasta amarela, e renegada por jk, que cedeu aos apelos dos editores, do new york times e do CCDJCSP (conselho de combate à demonização dos jovens pelos comedores de sanduíche de pepino).


no
covil, of course.


a figura que ilustra este post é da autoria do Monsieur J. "1001-skills" Lestrange, com magnífica representação da Sra. Rowling.


* * *

albus severus. tenha dó!

¬¬

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Saturday, September 01, 2007

navegar é imprescindível




se vc não consegue se orgulhar por mais nada que seja brasileiro, sinta orgulho pela família schürmann.


assista o trailer


visite o site


e reveja seus propósitos.



* * *

a ética em hp e porque os jovens a entendem




muito simples.


primeiro: porque, destituídos do vulgo senso crítico adulto -nome feio para mente fechada-, dispõem-se a ler esses livros, sem sucumbir ao bombardeio de ridicularização a que são submetidos os adultos que apreciam hp, nem esmorecer diante das 700 páginas com que metade dos volumes se apresenta.

segundo: para os jovens ainda não há uma trilha percorrida em suas almas que os afastem do sonho e do devaneio, coisa que acontece com os adultos, velhos demais para saber se divertir, preferindo encontrar satisfação no louvor dos outros ou próprio. estão abertos a aprender, ávidos por conhecer, disponíveis para o que lhes for oferecido.

terceiro e mais importante: os adultos que deveriam lhes apresentar o mundo com suas regras e fornecer ferramental para enfrentá-lo, valores humanos por exemplo, estão demasiadamente envolvidos em causar impressão aos outros, em adquirir bens e freqüentar shoppings e clubinhos, tarefas extenuantes que lhes roubam o tempo em que poderiam estar conversando com os filhos. deixam a educação a cargo dos professores que, além de lhes passar o conhecimento secular, também deverão lhes ensinar limites e valores.

na ausência moral dos pais, os jovens encontraram nos personagens e aventuras de hp lições preciosas de vida, dadas por ninguém menos que o professor de alexandre o grande.


sabidamente vivemos num mundo pleno de cinismo e profundamente estúpido. aquele que não sabe torna-se mestre, o que é negligente galga altos postos e os que não têm compaixão adquirem poder sobre os povos. até aí nenhuma novidade. o que chama a atenção é a constância na mídia de artigos de gente que não leu e não gostou meter o pau na obra que desconhece e, julgando-se muito importantes e acreditando que jamais serão desmascarados nas suas indeléveis negligência e ignorância, buscam ridicularizar aqueles que apreciam o que a série de livros de JK Rowling têm a oferecer. como são estúpidos, não foram capazes de reconhecer a filosofia clássica implicita nas entrelinhas. se você achava que os livros tratavam de magia, enganou-se. harry potter é sobre ética.


não admira não fosse reconhecida : há tempos anda desaparecida por estes lados da galáxia essa tal ética, embora não haja dia que não apareça um questionamento sobre a ética "dos outros" e os que menos a reconhecem (por jamais terem sido apresentados, i presume) são os primeiros a notar-lhe a ausência quando o assunto sai do seu quintal. a grama do vizinho não apenas é mais verde como o é por falta de ética dele. esse é o costumeiro blablablá dos ignorantes, muitos dos quais escondem-se sob o manto da invisibilidade do jornalismo crítico. em tempos esses, uma contradição em termos.

vários pensadores modernos, no entanto, não ignoraram a filosofia constante em hp. ao contrário, com o espírito humilde que marca um filósofo, debruçaram-se sobre os livros e puderam perceber que a trama --por si só rica e interativa, organizada em diversos planos narrativos-- encerrava conhecimentos milenares, não apenas em referências mitológicas mas em conteúdo filosófico.

mas eis que em Albus Dumbledore reencontramos Aristóteles, que apresenta as virtudes de um verdadeiro sábio.

diz Aristóteles, em Ética a Nicômacos: "O objeto da escolha é algo que está em nosso alcance e este é desejado após a deliberação. A escolha é, portanto, um desejo deliberado.
Mas como o fim é aquilo que desejamos e o meio aquilo que deliberamos e escolhemos, as ações devem concordar com a escolha e serem voluntárias. O exercício da virtude diz respeito aos meios, logo, a virtude está em nosso poder de escolha. Em outras palavras, podemos escolher entre a virtude e o vício, porque se depende de nós o agir, também depende o não agir. Depende de nós praticarmos atos nobres ou vis, ou então, depende de nós sermos virtuosos ou viciosos: "(...) O homem é um princípio motor e pai de suas ações como o é de seus filhos".

Dumbledore é também notório por suas virtudes: a coragem, a temperança, a liberalidade, a magnificência, o justo orgulho, a anonimidade, a calma, a veracidade, o espírito, a amabilidade, a modéstia, a justa indignação, a justiça. Todas essas são igualmente as virtudes morais apontadas por Aristóteles como desejáveis e passíveis de serem escolhidas pelo homem virtuoso.


a vida moral é um assunto de adultos.

então porque não são esses adultos a ensinar às crianças uma conduta pelo bem? foi preciso que uma escritora o fizesse -e angariasse tantos, milhões!, de leitores atentos e aficcionados. saiba que esses leitores foram chamados de "potterofrênicos" pelo colunista Giron, da revista Época. exatamente esses leitores que souberam ver nas entrelinhas da deliciosa trama a voz do sábio -não o sábio arquetípico mas o mestre de alexandre- a lhes ensinar as virtudes e a formação do caráter.

mesmo assim a fraqueza de caráter, para não dizer a ignorância, demonstrada pelos profissionais de mídia não nos causa estranheza visto que fomos suficientemente alertados pelo Profeta Diário, Rita Skeeter e Quibbler, dignos representantes da mídia de comunicação impressa no mundo bruxo. não estão os jovens ingênuos e despreparados diante da maledicência vazia. Aristóteles e Rowling deram seu recado ;)

mas devemos pesar o destino desses jovens, órfãos da presença dos pais, que dependem da inteligência e criatividade de escritores e artistas em geral a lhes obsequiar com esses limites e valores que nos faltam tão profundamente nesses dias de aquecimento global e corporações sem rosto que nos roubam nada menos que a vida.

:/


* * *


"O confronto entre o bem e o mal, naturalmente, é a pedra angular da ética, como parte da filosofia, desde pelo menos Platão. Na "República", um dos interlocutores de Sócrates argumenta que a "justiça" é simplesmente o que beneficia os donos do poder e que o homem mais feliz do mundo será o mais perfeitamente mau."

por isso o maniqueísmo nunca sai de moda.

*
(esta foi a segunda parte da
the quest for the truth)


Monday, August 06, 2007

about magic and wizardry




É interessante notar como a magia pode ser descrita de diferentes formas dependendo do enfoque de cada autor.


Em Harry Potter a magia é banal. Dentro dos limites do mundo bruxo, pelo menos, que se mantém separado mundo trouxa. Qualquer criança realiza atos mágicos e são contidas de fazê-los em público. Todos têm mais ou menos a mesma capacidade mágica, desde que tenham uma varinha adequada, e algum talento. Poucos são mais talentosos e esses se tornam notáveis, como Dumbledore, Voldemort e Harry.

Em Sword of Truth não funciona desse jeito. Muitos são os seres mágicos e muitas as formas de magia. Cada povo tem a sua e tem aqueles que não tem nenhum tipo, mas todos coexistem, sabedores de magia, tementes a ela, prisioneiros dela, em alguns casos. Há "trouxas" também, que a desconhecem, mas só são dessa forma por um ato mágico, protegidos que são pela Boundary. No entanto, nem esses ignoram a existência de lugares onde a magia impera.

Em Senhor dos Anéis, o que menos vemos é magia sendo executada. Gandalf e Saruman se restringem a realizar poucos atos desse tipo. Gandalf é mais conhecido pelos seus fogos de artifício do que pela sua natureza mágica. No entanto, a Terra média é permeada de magia, criada através de magia, assim como seus seres. Embora pouco se veja de truques mágicos e muito mais de caráter em SdA, a essência da Terra mèdia é de pura magia.

Em Borges o mundo mágico não está à parte. ele é sentido e pressentido na realidade como uma dimensão tão sólida quanto a pena que vos escreve, coexistente e tampouco invisível, como se apenas não a vissemos porque olhamos para outro lado repetidamente, na esperança que se vá embora antes que tenhamos de tomar uma atitude a respeito. Borges deu uma dimensão nova ao fantástico e à magia, diferente de Tolkien, Rowling, Goodkind. Ele a fez inerente.


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dá pra notar que amo borges?

:)

Thursday, August 02, 2007

the quest for the truth 1




em tenra idade somos influenciados pelo meio. a socialização se dá pela aquisição da linguagem e através do convívio com os demais, quando criaremos um imaginário pessoal que incluirá, em níveis mais profundos, a base da personalidade. essas influências não se resumirão às pessoas de carne e osso que encontraremos pela vida mas, em muita medida, pelas personagens que porventura tenham cruzado nosso caminho.


lembro ter sido influenciada por personalidades fortes, normalmente mulheres que não aceitavam a sujeição. muitas eram figuras de filmes que assisti quando criança, como várias das atuações de katherine hepburn bem como de ann bancroft. dessa, marca profunda ficou de um filme que reuniu dois dos assuntos que mais interessam a mim, livros e memória, no já clássico 84 Charing Cross Road, vertido como nunca te vi, sempre te amei. a película é de 1986 e brancroft contracena com anthony hopkins, num delicado e intenso drama onde as personagens amam-se sem jamais terem se encontrado, aproximados que foram pelo amor que ambos nutrem pelos livros, numa relação alimentada por meio de cartas. um oceano de distância e distância alguma.


porque alguns personagens marcam tão profundamente? philip, de servidão humana, tem um defeito físico que o torna motivo de escárnio e lhe torna inseguro diante das decisões que a vida exige. sua redenção se dará pela compreensão do sofrimento e sua aceitação, o que possibilitará transcender as limitações e o libertará enfim. é uma jornada do herói, onde o herói é basicamente um fraco e não desenvolverá poderes extraordinários que não o de adquirir auto-conhecimento e usufruir de autosuperação. mas não serão estes poderes extraordinários?


em harry potter, o herói adquire e desenvolve poderes mágicos, atravessa um sem-fim de dificuldades. é ridicularizado, perseguido, injustiçado, traído, abandonado, maltratado, discriminado etc. seus poderes podem muito pouco diante da enormidade da tarefa que tem diante de si: por fim aos mal-feitos de seu arqui-inimigo lord voldemort, um mestiço com profundo sentimento de inferioridade. nosso herói também o tem mas -e eis onde a jornada finalmente culmina- vem a superá-lo, sem perder a ternura e a modéstia que as adversidades lhe proporcionaram.

vai que depende em que solo cai a semente. uma mesma pode vingar em solo pobre como fenecer em solo rico. não há uma regra exceto de que são nossas escolhas que nos mostram quem somos e não o que pensamos ser ou aquilo que o mundo apregoa.
é a mesma jornada de philip, que encontrou, senão grandes aventuras, seguramente a si mesmo.

atribuir a harry/rowling menos reconhecimento do que aquele concedido a philip/maugham é discriminação vazia, como via-de-regra é toda discriminação.

* * *

críticos, beware!
trespassers will be shot


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to be continued

a ética em hp e porque os jovens a entendem

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Tuesday, July 24, 2007

the man with the lightning scar




sempre que leio uma crítica aos livros de harry potter não posso deixar de perceber uma ponta de inveja. há uma acidez na análise característica de petúnia, que não podendo ser bruxa optou por ser o pior tipo de trouxa. assim são os críticos, isolados pela sua falta de talento, buscam denegrir a obra alheia de maneira a não se sentirem tão miseráveis.


admito, jk rowling não é jorge luís borges, que aponta a incerteza da realidade e questiona as impossibilidades; também não é gabriel garcia marques, que descobriu (ou inventou) sozinho os arquétipos latinos, ignorados pela maioria a louvar os gregos como os únicos criadores de grandes mitos. jk também não é james joyce mas convenhamos, quantos são joyce? mais ainda, quantos leram joyce? conta-se nos dedos de uma mão. no entanto, muitos têm esses livros na prateleira, demonstrando conhecimento literário que, a bem da verdade, desprezam.

vivemos num mundo de aparência. quem melhor veste as roupas projetadas para cabides, desejáveis se tornam. assim com a literatura. críticos, solitários em suas juventudes recheadas de sombras e ladies macbeths invejam o que o leitor comum, que não tem compromisso com a aparência nem com a intelectualidade, usufruem : o que de bom um autor tem a oferecer, mesmo que lhe tenha sido apontado inúmeras vezes, incessantemente, o papel ridículo ao qual se submetem. "gostar de harry potter? que absurdo. leia camões. em grego!"

a acidez frequentemente passa raso por cima das questões levantadas pelos livros, dirigidos ao público jovem -embora numa questão bastante controvertida que envolve a pressão das corporações livreiras incomodadas com o monopólio estabelecido por harry potter na lista dos mais vendidos- com certeza, mas adotado por milhões de adultos como se a eles também fosse contada a história, como se amizade, lealdade, coragem fossem assunto de criança. depois, essas mesmas pessoas criticam os governantes, que não tiveram coragem de enfrentar o público, ou os representantes políticos que traíram a causa, e ainda aqueles que não foram capazes de retribuir uma amizade oferecida sinceramente.

muitos pesos e muitas medidas. seriam os cínicos os últimos remascentes de inteligência na terra? pelos críticos, parece que sim. sejamos cínicos, então. ignoremos o apelo feito aos jovens que nunca leram um livro e devoraram as milhares de páginas dessa série que, finalmente, acabou. ou o envolvimento de milhões que compartilharam questionamentos e que não se resumiram aos elementos enigmáticos contidos nos livros mas que buscaram compreender filosoficamente -pela primeira vez na vida- o que significa ser humano, quais as consequências de participar de um grupo social, da responsabilidade de combater por uma causa, ou o quanto é antiga a questão primordial de quem somos e porque estamos aqui. ou ainda porque entendemos aquilo que é diferente como uma ameaça.

a busca de harry por uma identidade, negada pela família abusiva que o criou, através de parcas memórias e explicações que lhe foram pingadas por parte do "ídolo" dumbledore, enquanto precisava crescer entre mais inimigos que amigos e sofrer a ridicularia, por estar sempre sob os holofotes onde não queria estar, além de superar o abandono profundo que carregou desde a morte trágica dos pais além de a si mesmo, não deve ser encarada como uma trama com profundidade. segundo os críticos, essa realidade adversa e punitiva não é digna dos melhores intelectuais. mas pergunto, se o sofrimento não merece o olhar cauteloso do crítico, o que merece?

vivemos pois num mundo cínico, em que a dor alheia não suscita nem simpatia nem compaixão.

o que é boa literatura senão aquela que revela? sejam mundos inesperados mas adivinhados, relações atávicas, ou a constituição mineral que nos conforma e nos relaciona a tudo o que existe. a dor, que nunca está muito longe, e a superação, desejável. pode ser ainda apenas diversão; mas há uma força no riso que os seguidores de jorge -não o mago, mas seu duplo em o nome da rosa- jamais conhecerão, envolvidos que estão em envenenar as páginas do livro da comédia e em afirmar-se aos outros cínicos numa competição infindável de imbecilidade.

mas não importa, a mim, o que os críticos estão a ruminar. li com prazer muitas vezes redobrado todos os livros da série até este último, eletrizante, inesperado, empolgante e maravilhoso. amei cada parágrafo e não me neguei o direito de ser feliz. é mais do que muita gente pode dizer.


* * *


support the man with the lightning scar!


:)))))

Thursday, July 19, 2007

invisible art




marcelo afonso afirma que "chegamos à era da total perda dos referenciais em que a simulação transformou-se na própria realidade". estranho e interessante que tenhamos percorrido um longo caminho tecnológico que, permitindo amplo acesso ao mundo binário, ofereça a resposta à pergunta primordial : quem sou eu? ainda mais importante é que sejam essas máquinas que nos intermedeiam o contato, nós o povo e a natureza da realidade, nos tenham fornecido a chave para essa compreensão, do que é feito o mundo e a matéria prima de nossas próprias naturezas sonhadoras.
ele vai além -ou aquém, já que o assunto é a arte invisível- e assegura que "a arte invisível [...] é a verdadeira Arte. ela é invisível pois nunca ninguém soube de sua existência a não ser o artista que a criou, o que faz dela a arte pura, sem a preocupação de interferir nas idéias de ninguém, exceto nas do criador."

a inexistência da criação para outrém, exceto para seu idealizador, acarreta na negação da simulação da realidade, que é a realidade compartilhada e na afirmação da idéia como constatação da existência. envolve-a, o artista, em absoluto segredo, garantindo, dessa forma, sua integridade tanto quanto confirma a acepção de que a simulação do mundo -manifestada em percepções- não é a realidade.
apenas a arte intangível é arte pura, como água pura é a jamais descoberta. se o mero contato com a água a transforma, com a arte se dá a mesma coisa. exposta, é pervertida, compartilhada é maculada.


* * *

a aproximação a almotázin:
...
invisible art



;)

Wednesday, July 04, 2007

Relíquia macabra




faltando apenas 17 dias para o lançamento, comecei a perceber que o fim se aproxima. para mim não houve um começo, início mesmo. já rolava por aí, fazia parte do cotidiano, quando descobri. mas o fim eu verei. em 17 dias.


não é sobre the maltese falcon que falo. as relíquias macabras são outras: harry potter and the deathly hallows.
as pessoas me perguntam às vezes porque sou fã de harry potter e tenho sempre mil razões para justificar. fosse fã de paris hilton não teria nenhuma. nem perdão. normalmente não me perguntam nada e apenas escrevem ao lado do meu nome, lá na sua agendinha: "maluca". o publisher da rocco prefere me atribuir o título de "sabichona de plantão". mas não posso recriminar quem me julga, afinal também os julgo. primeira pedra e tal.

já não sou tão ardorosa quanto fui, mas a 17 dias me vejo ansiosa para ter o último livro nas mãos. onde estavam harry e hagrid durante as 24 horas? quem mais estava em godric's hollow na noite do ataque de voldemort? foi pettigrew que recolheu a varinha do lord das trevas após sua vaporização? o que os centauros fizeram a umbridge na floresta proibida? porque os olhos verdes de lilian são importantes? os elfos serão libertados?harry poderá tocar os horcruxes remanecentes sem ferimento ou precisará enfrentar ferrenha luta para destruí-los? luna lovegood é descendente de rowena? zacharias smith de helga hufflepuff? os weasley de griffindor? teremos mais um lobisomem na ordem? quem mais morrerá? dumbledore está realmente morto (duvi-de-o-dó)? o que há na sala trancada do ministério? é o amor que salvará harry? como? quem é r.a.b.? qual a importância de aberforth? a família dumbledore é de edimburgo? quem manifestará poderes mágicos tardiamente? snape tem um filho? a sra. figg é parente de minerva mcgonnagal? qual o conteúdo da carta de dumbledore para petúnia? percy voltará para a família?

e principalmente: de que lado está snape?

logo teremos um casamento, bill e fleugm. precisamos de uma gravidez --de preferência de gêmeos-- para que se torne uma novela. a mais longa, esperada, rentável novela em livro que já existiu.


17 dias.


* * *

molly abraça rony: "que maravilha! todos os meus filhos monitores em hogwarts!"
fred e jorge: "... e o que nós somos, mulher? filhos do vizinho?"


sentirei saudades...

;/

Sunday, February 25, 2007

Ouvidos moucos tem o tempo




há vários tipos de silêncio. por certo não é apenas ausência de som, pois nunca se tem essa barbaridade plenamente. tímpanos explodiriam! há sempre um zumbido no ouvido, o rrrr do ventilador, um grilo lá fora que extraviou-se no caminho da roça e acabou na selva, murmúrios, tosses, tiros, um grito de horror, enfim, esses sons normais que nem ouvimos pelo costume.

mas há níveis de silêncios que merecem a atenção ocasionalmente e que não pertencem ao costumeiro. há o silêncio dos filhos que dormem. quando dormem, podemos nos ouvir os pensamentos novamente e estes chegam mesmo a romper barreiras de decibéis tão gritantes estavam antes do sono bendito chegar.

há o silêncio constrangedor, quando alguém (contanto não seja você) disse uma merda e deseja desesperadamente que o chão se abra sob os pés. contra todas as probabilidades de tal coisa acontecer, o gafento reza interiormente para que deus faça um milagre de separação das terras, lajotas, parquês e pisos assemelhados, proporcionando-lhes um rápido meio de fuga. se for você, ainda terá alguns segundos em sorrisos antes de perceber que fez muito mal em adotar o ateísmo, pois vai que um deus te faz essa caridade e você perdeu a deixa. quem mandou pensar? coisa de tolos.

há o silêncio do tempo. ele flui mas você não o ouve. escuta o relógio, máquina iludida, vê as mudanças mas o tempo, nop. ele entra mudo e sai calado, ano vem, ano vai, não se justifica nem dá explicações pelas rugas, pelas flores mortas, pelos desaparecimentos daqueles que amamos (coisa que credita a outras divindades), pela coca-cola que nunca está na altura que deixamos. o tempo faz ouvidos moucos às nossas súplicas de que páre ou diminua a velocidade.
impávido colosso, tempus est.


há o silêncio da morte. como ainda não morri, me abstenho de falar dele. DEATH, por outro lado, gosta de um bom papo.

mas há (ahá!) o silêncio do segredo. nele, esperanças afogaram-se quietamente, ovelhas num matadouro invisível, onde o guardião do segredo retém a chave da alma de quem lhe ofereceu a verdade. no segredo, que não pode ser compartilhado sob pena de difundir-se por todo o universo em grandes ondas de revelação ostensiva, só é secreto quando afunda em si mesmo. e leva consigo aquele que se dispôs ao diálogo.

dispomos de nós mesmos com amplos poderes embora não nos apercebamos disso com frequência ou mesmo quase nunca. o poder de outro sobre nós é uma concessão temporária que podemos recolher a qualquer instante, um contrato a ser rescindido em um momento, bastanto que uma das partes o rasgue em pedacinhos bem pequenos.

mas no amor, colocamos nas mãos de outro a chave. de livre e espontânea vontade. e quando observamos o cadáver que oscila levemente sob a água, posto a dormir pelo não-dito, pálidas faces, rancorosas mãos em dádiva, olhos brancos e mortos ainda em súplica, não podemos recuperá-la. pelo menos não até que estejamos dispostos a enfrentar o segredo, o silêncio, os guardiões. e, mesmo lamentando, reconhecer que o que foi perfeito, acabou.

é o preço do silêncio.


* * * * *


shhh!!! ... que estamos a nos esconder
atrás de desculpas esfarrapadas...


>:(

Saturday, January 27, 2007

deserts in the heart




na tristeza há um deserto. mas é um deserto bom onde, além da areia cantar nos ouvidos e fustigar a carne, da nebulosidade que a tudo mistifica e mistura o horizonte com a água que dorme quieta muito abaixo, também tem uma sonoridade que acompanha os passos, marca o ritmo, um coração que pulsa silenciosamente.

atravessa-se esse deserto de livre vontade pois nele chegamos pelo amor que mesmo frustrado foi um dia vivo, ou pela decepção que nos alivia ao final da carga de estarmos certos e do fardo de conhecer de forma absoluta e imutável uma natureza que prima pela constante transformação. também pela perda, algumas tão terríveis que deserto algum suportaria a dor e desvaneceria em nada.

mas é no nada vislumbrado no tédio, abismo sorrateiro a murmurar juras de amor eterno, que reside o desfiladeiro, que ecoa voz nenhuma outra que não seja a própria a gritar sem som um pedido de algo. não um algo que assista mas exista, enquanto os cães ladram e o aborrecimento passa.

"senhor, livrai-me do tédio como da varíola, que obriga minha alma sedenta a buscar saciedade em qualquer água infecta, e do ego, que arrota os vermes que ingeriu. mas se não puderes afastar de mim este cálice, que pelo menos esteja cheio de coca-cola e o cão me seja calada companhia."


* * *

se schoppenhauer continuar a concordar comigo,
terei de mudar de filósofo.


;

Saturday, January 20, 2007

the physician



há tempos não lia um livro de viagens e o físico, de noah gordon, é um belo exemplar :)

longos trajetos, paisagens inóspitas, silêncios preenchidos pelos pensamentos do personagem, é como viajar junto e conhecer a pérsia sob o olhar sem preconceitos de um jovem.

tive um lamentável encontro com marco polo e seu livro das maravilhas, que resume-se a contagens sucessivas : "nos dirigimos para a aldeia x, onde contamos vinte e duas mulas, dois leitões e nenhum cavalo pois todos se afogaram no bahahai, enquanto na aldeia seguinte, y, contamos dois cavalos, um negro um malhado e dois potros pequenos sujs de lama, treze galinhas brancas, dois barris de alcatrão, um velho vesgo no balcão da taverna suja", ou seja, um longo inventário despropositado para o leitor de viagens pois nada oferece das cercanias, da geografia, dos costumes e impressões sobre o idioma, onde a parte mais interessante foi o velho vesgo. chato, tão somente.

muito diferente desse, o criação de gore vidal é um passeio extasiante entre gente diferente, roupas coloridas, línguas improváveis, culturas exuberantes e muita, muita, muita estrada.
anos sem fim em caravanas, descobrindo o mundo, de desertos, pântanos a cordilheiras... como a vida.

blá, blá, blá. to escrevendo muito mal hoje. chuva, frio, tédio. vou dormir.


* * *

z z z z z z z z z z z z z z z z z z z z z z


Monday, January 15, 2007

a dama no vento



a dama na água não é nada do que eu esperava. pra começar, pensei que teria mais água. bem mais água. não há. toda ela se concentra numa piscina de formato esquisito e no chuveiro da casa de cleveland. depois, esperava efeitos especiais incríveis. neca. o cachorro gramoso é ridículo. esperava mais azul e me achei num condomínio, coisa que detesto visto ser um lugar cheio de gente. esperava um shyamalan e .... aí que a vaca torce o rabo.


era tolo, mas cleveland me convenceu a ficar e ouvir o discurso. substância costuma ter esse efeito dizzing em mim, coisa de românticos. embora sua história pessoal viesse à tona em dado momento, não estava interessada em fatos, discutíveis, mas em ouvir um pouco mais do som que a profundidade costuma apresentar. a história tem altos e baixos, é oscilante e non-sense, logo estava navegando na indecisão, sem conseguir classificar o filme. bom pra mim, ruim pros meus miolos que ainda buscam uma definição e uma conclusão.

não há conclusão. é uma história de ninar transposta para um lugar improvável, onde as criaturas mais inverossímeis são os normais, dessas que a gente encontra todo dia, na padaria, no shopping, no caminho do trabalho. e essas pessoas são escolhidas para salvar o mundo. só podia dar merda. ou não. o decodificador é uma criança, os sinais da transcendência chegam em caixas de cereais, o curandeiro é um ex-médico, o conselho -que nada fez- são sete mulheres, das quais cinco nunca vimos antes, uma é irmã do salvador outra é interprete da mãe esquisita e a única que conhece a história. pois a única que conhece a história, a lenda original, não a transmite porque fala outra língua e acaba que a interpretação gera controvérsias e equívocos que, no final das contas, não interfere em nada na finalização da trama. se vc não entendeu e fez tudo errado, não faz diferença pois, no fim, tudo dará certo. hm. isso me lembra a vida real, por que será? além disso, não é de verdade mesmo. exceto pelo crítico. ele é real e é comido pelo cachorro verde. bem feito. quem mandou apontar as fórmulas espúrias e blablabentas que existem nos filmes? morra, maldito.


mesmo assim, gostei. não correspondeu à minha expectativa e isso é ponto a favor, penso eu. como não considero o mundo uma extensão do meu ego, fico feliz ao encontrar algo diferente de mim, das minhas idéias e interpretações.

já ia finalizar o comentário com acidez quando lembrei das coisas sem nome.... mas não é todo dia que acordo sensível. às vezes estou impregnada pelo mundo e esqueço, até que borges me recorde, que há tempos imperceptíveis e mensagens sem moral. e histórias de ninar que nos dizem para não falar com estranhos.


* * *

...mas o que é o homem, quintessência do pó?


0.0

Saturday, January 13, 2007

dragonish thoughts



there is a place between the life and the nothingless where one stay while is waiting for a conclusion. the hollow is a safe spot but it is not a home. it's wise to remember this tiny thing. however... who knows about where are going to? or how long one will be waiting for? with dragonish thoughts in the heart can the hollow be a door.


quem sabe dos tortuosíssimos caminhos que conduzem a algum lugar? qualquer lugar, no tempo ou no espaço, em ambos ou nenhum dos citados, enquanto sorve a cervejinha nossa de cada dia, esperando nem godot nem o trem, mas simplesmente que a porta -aquela porta- finalmente se abra?

atravessar um campo de dunas ouvindo cold water é uma experiência indivisível por qualquer número primo ou segmentável em instâncias decisórias. apesar de percorrermos cotidianamente caminhos atapetados de lírios críticos, ainda somos capazes de reunir em uma cesta de vime úmido um pouco de peixe e um jarro de poesia, para compartilhar e multiplicar nos dias sombrios da estupidez infinita.


há refúgios, entrementes. entre mentes, há refúgio.


* * *

o tempo e o espaço são modos pelos quais pensamos
e não condições nas quais vivemos.

(uma pedra)

.

comédia de erros



o recente episódio de bloqueio do site youtube oferece-se como lamentável comédia de erros.


alguém que abdicou de seu direito à privacidade requer na justiça que ele seja respeitado; muda de idéia após assinar a ação mas não retira o processo; judiciário determina que o direito à privacidade seja respeitado desconhencendo o processo técnico que inviabiliza sua execução; empresas de comunicação, incapacitadas de cumprir a decisão judicial, bloqueiam sinal indo muito além do determinado e da sua ingerência; judiciário suspende determinação visto que a decisão, impossível de ser executada nos termos deferidos, fere o princípio da proporcionalidade; diante da censura resultante imposta aos internautas, todos retiram o que disseram, fizeram, pensaram, deixando no ar um cheiro de arbitrariedade, injustiça, ignorância, incompetência e despudor, resultando que o video, origem da disputa, agora é distribuido por inúmeros outros sites e arquivos de compartilhamento pessoais, demonstrando que quem deseja ter seu direito de privacidade respeitado deve usar de privacidade em primeiro lugar.

considerada a primeira peça de shakespeare, a comédia dos erros não é um texto leve, onde os enganos provocados pelas pessoas que conversam alternadamente com um gêmeo e o outro delineiam uma trama em muito semelhante ao telefone, brincadeira infantil que consiste em transmitir uma informação ao longo de uma sequência de agentes que acrescentam, transformam, omitem partes da informação, resultando perder-se o sentido original.

tal foi o caso youtube. mas não resumiu-se nisso e poderia quedar-se como enganos sucessivos, misunderstandings only. entretanto, com os comentários do último despacho, o desembargador encarregado do caso mostrou-se satisfeito com o resultado secundário de saber que seria possível bloquear a internet.

ninguém achou que não fosse. a questão é a quem interessa fazer esse bloqueio em tempos em que se alega a consolidação da democracia. que interesses se satisfariam em descobrir meios de alienar a população do direito constitucional de ir e vir, no espaço virtual. o caso nos mostra como, indiferente aos anseios da humanidade de exercer o direito de integração social e de manifestar-se plenamente em todos os segmentos disponíveis, a mentalidade vigente ainda é francamente coercitiva, a atribuir-se poderes supremos sobre a decisão soberana do indivíduo sobre o que concerne exclusivamente a sua vida, sua expressão como individualidade e dignidade.

"O Poder Público não pode desapropriar qualquer direito da personalidade, porque ele não pode ser domínio público ou coletivo."

Direitos da personalidade : direito à vida, direito à liberdade, direito à honra, direito à privacidade, direito à identidade pessoal, direito à integridade física e psiquica, direito à imagem, direito moral de autor.

esta comédia de erros não resultou leve, tampouco.
ergueu-se uma espada de dâmocles sobre a população que utiliza a internet como meio de comunicação, informação, estudo e lazer, mas não a esses somente. configura-se uma ameaça à democracia, que não chegou trazida pelas ondas, numa praia da espanha.

muito sangue e lágrimas nos custou, a nós, o povo.


* * *

"No reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode-se pôr em vez dela qualquer outra como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então tem ela dignidade."
(Immanuel K.)

>:(