
na tristeza há um deserto. mas é um deserto bom onde, além da areia cantar nos ouvidos e fustigar a carne, da nebulosidade que a tudo mistifica e mistura o horizonte com a água que dorme quieta muito abaixo, também tem uma sonoridade que acompanha os passos, marca o ritmo, um coração que pulsa silenciosamente.
atravessa-se esse deserto de livre vontade pois nele chegamos pelo amor que mesmo frustrado foi um dia vivo, ou pela decepção que nos alivia ao final da carga de estarmos certos e do fardo de conhecer de forma absoluta e imutável uma natureza que prima pela constante transformação. também pela perda, algumas tão terríveis que deserto algum suportaria a dor e desvaneceria em nada.
mas é no nada vislumbrado no tédio, abismo sorrateiro a murmurar juras de amor eterno, que reside o desfiladeiro, que ecoa voz nenhuma outra que não seja a própria a gritar sem som um pedido de algo. não um algo que assista mas exista, enquanto os cães ladram e o aborrecimento passa.
"senhor, livrai-me do tédio como da varíola, que obriga minha alma sedenta a buscar saciedade em qualquer água infecta, e do ego, que arrota os vermes que ingeriu. mas se não puderes afastar de mim este cálice, que pelo menos esteja cheio de coca-cola e o cão me seja calada companhia."
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se schoppenhauer continuar a concordar comigo,
terei de mudar de filósofo.
se schoppenhauer continuar a concordar comigo,
terei de mudar de filósofo.
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