Tuesday, July 24, 2007

the man with the lightning scar




sempre que leio uma crítica aos livros de harry potter não posso deixar de perceber uma ponta de inveja. há uma acidez na análise característica de petúnia, que não podendo ser bruxa optou por ser o pior tipo de trouxa. assim são os críticos, isolados pela sua falta de talento, buscam denegrir a obra alheia de maneira a não se sentirem tão miseráveis.


admito, jk rowling não é jorge luís borges, que aponta a incerteza da realidade e questiona as impossibilidades; também não é gabriel garcia marques, que descobriu (ou inventou) sozinho os arquétipos latinos, ignorados pela maioria a louvar os gregos como os únicos criadores de grandes mitos. jk também não é james joyce mas convenhamos, quantos são joyce? mais ainda, quantos leram joyce? conta-se nos dedos de uma mão. no entanto, muitos têm esses livros na prateleira, demonstrando conhecimento literário que, a bem da verdade, desprezam.

vivemos num mundo de aparência. quem melhor veste as roupas projetadas para cabides, desejáveis se tornam. assim com a literatura. críticos, solitários em suas juventudes recheadas de sombras e ladies macbeths invejam o que o leitor comum, que não tem compromisso com a aparência nem com a intelectualidade, usufruem : o que de bom um autor tem a oferecer, mesmo que lhe tenha sido apontado inúmeras vezes, incessantemente, o papel ridículo ao qual se submetem. "gostar de harry potter? que absurdo. leia camões. em grego!"

a acidez frequentemente passa raso por cima das questões levantadas pelos livros, dirigidos ao público jovem -embora numa questão bastante controvertida que envolve a pressão das corporações livreiras incomodadas com o monopólio estabelecido por harry potter na lista dos mais vendidos- com certeza, mas adotado por milhões de adultos como se a eles também fosse contada a história, como se amizade, lealdade, coragem fossem assunto de criança. depois, essas mesmas pessoas criticam os governantes, que não tiveram coragem de enfrentar o público, ou os representantes políticos que traíram a causa, e ainda aqueles que não foram capazes de retribuir uma amizade oferecida sinceramente.

muitos pesos e muitas medidas. seriam os cínicos os últimos remascentes de inteligência na terra? pelos críticos, parece que sim. sejamos cínicos, então. ignoremos o apelo feito aos jovens que nunca leram um livro e devoraram as milhares de páginas dessa série que, finalmente, acabou. ou o envolvimento de milhões que compartilharam questionamentos e que não se resumiram aos elementos enigmáticos contidos nos livros mas que buscaram compreender filosoficamente -pela primeira vez na vida- o que significa ser humano, quais as consequências de participar de um grupo social, da responsabilidade de combater por uma causa, ou o quanto é antiga a questão primordial de quem somos e porque estamos aqui. ou ainda porque entendemos aquilo que é diferente como uma ameaça.

a busca de harry por uma identidade, negada pela família abusiva que o criou, através de parcas memórias e explicações que lhe foram pingadas por parte do "ídolo" dumbledore, enquanto precisava crescer entre mais inimigos que amigos e sofrer a ridicularia, por estar sempre sob os holofotes onde não queria estar, além de superar o abandono profundo que carregou desde a morte trágica dos pais além de a si mesmo, não deve ser encarada como uma trama com profundidade. segundo os críticos, essa realidade adversa e punitiva não é digna dos melhores intelectuais. mas pergunto, se o sofrimento não merece o olhar cauteloso do crítico, o que merece?

vivemos pois num mundo cínico, em que a dor alheia não suscita nem simpatia nem compaixão.

o que é boa literatura senão aquela que revela? sejam mundos inesperados mas adivinhados, relações atávicas, ou a constituição mineral que nos conforma e nos relaciona a tudo o que existe. a dor, que nunca está muito longe, e a superação, desejável. pode ser ainda apenas diversão; mas há uma força no riso que os seguidores de jorge -não o mago, mas seu duplo em o nome da rosa- jamais conhecerão, envolvidos que estão em envenenar as páginas do livro da comédia e em afirmar-se aos outros cínicos numa competição infindável de imbecilidade.

mas não importa, a mim, o que os críticos estão a ruminar. li com prazer muitas vezes redobrado todos os livros da série até este último, eletrizante, inesperado, empolgante e maravilhoso. amei cada parágrafo e não me neguei o direito de ser feliz. é mais do que muita gente pode dizer.


* * *


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:)))))

Thursday, July 19, 2007

invisible art




marcelo afonso afirma que "chegamos à era da total perda dos referenciais em que a simulação transformou-se na própria realidade". estranho e interessante que tenhamos percorrido um longo caminho tecnológico que, permitindo amplo acesso ao mundo binário, ofereça a resposta à pergunta primordial : quem sou eu? ainda mais importante é que sejam essas máquinas que nos intermedeiam o contato, nós o povo e a natureza da realidade, nos tenham fornecido a chave para essa compreensão, do que é feito o mundo e a matéria prima de nossas próprias naturezas sonhadoras.
ele vai além -ou aquém, já que o assunto é a arte invisível- e assegura que "a arte invisível [...] é a verdadeira Arte. ela é invisível pois nunca ninguém soube de sua existência a não ser o artista que a criou, o que faz dela a arte pura, sem a preocupação de interferir nas idéias de ninguém, exceto nas do criador."

a inexistência da criação para outrém, exceto para seu idealizador, acarreta na negação da simulação da realidade, que é a realidade compartilhada e na afirmação da idéia como constatação da existência. envolve-a, o artista, em absoluto segredo, garantindo, dessa forma, sua integridade tanto quanto confirma a acepção de que a simulação do mundo -manifestada em percepções- não é a realidade.
apenas a arte intangível é arte pura, como água pura é a jamais descoberta. se o mero contato com a água a transforma, com a arte se dá a mesma coisa. exposta, é pervertida, compartilhada é maculada.


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a aproximação a almotázin:
...
invisible art



;)

Wednesday, July 04, 2007

Relíquia macabra




faltando apenas 17 dias para o lançamento, comecei a perceber que o fim se aproxima. para mim não houve um começo, início mesmo. já rolava por aí, fazia parte do cotidiano, quando descobri. mas o fim eu verei. em 17 dias.


não é sobre the maltese falcon que falo. as relíquias macabras são outras: harry potter and the deathly hallows.
as pessoas me perguntam às vezes porque sou fã de harry potter e tenho sempre mil razões para justificar. fosse fã de paris hilton não teria nenhuma. nem perdão. normalmente não me perguntam nada e apenas escrevem ao lado do meu nome, lá na sua agendinha: "maluca". o publisher da rocco prefere me atribuir o título de "sabichona de plantão". mas não posso recriminar quem me julga, afinal também os julgo. primeira pedra e tal.

já não sou tão ardorosa quanto fui, mas a 17 dias me vejo ansiosa para ter o último livro nas mãos. onde estavam harry e hagrid durante as 24 horas? quem mais estava em godric's hollow na noite do ataque de voldemort? foi pettigrew que recolheu a varinha do lord das trevas após sua vaporização? o que os centauros fizeram a umbridge na floresta proibida? porque os olhos verdes de lilian são importantes? os elfos serão libertados?harry poderá tocar os horcruxes remanecentes sem ferimento ou precisará enfrentar ferrenha luta para destruí-los? luna lovegood é descendente de rowena? zacharias smith de helga hufflepuff? os weasley de griffindor? teremos mais um lobisomem na ordem? quem mais morrerá? dumbledore está realmente morto (duvi-de-o-dó)? o que há na sala trancada do ministério? é o amor que salvará harry? como? quem é r.a.b.? qual a importância de aberforth? a família dumbledore é de edimburgo? quem manifestará poderes mágicos tardiamente? snape tem um filho? a sra. figg é parente de minerva mcgonnagal? qual o conteúdo da carta de dumbledore para petúnia? percy voltará para a família?

e principalmente: de que lado está snape?

logo teremos um casamento, bill e fleugm. precisamos de uma gravidez --de preferência de gêmeos-- para que se torne uma novela. a mais longa, esperada, rentável novela em livro que já existiu.


17 dias.


* * *

molly abraça rony: "que maravilha! todos os meus filhos monitores em hogwarts!"
fred e jorge: "... e o que nós somos, mulher? filhos do vizinho?"


sentirei saudades...

;/