Wednesday, September 19, 2007

no title yet




havia uma pilha de louça sobre o balcão da pia. pratos sobre pratinhos, sobre xícaras, sobre molheira, sobre pratos grandes, sobre copos, sobre pratos de sopa, sobre outra coisa. rosados, amarelos, azuis, brancos, mais brancos que outra cor, mantidos em frágil equilíbrio. mudos, antecipavam o momento que alguém se disporia a assumir a culpa. um movimento minúsculo daria início ao inevitável deslizamento da louça que se contorceria numa promessa de espetáculo e espalharia seus cacos por todo o piso de cerâmica. do barro ao barro. as colherinhas tilintariam pelo chão, dando a deixa para o choro incontível, que já era esperado. depois, os cacos seriam juntados e arrojados na lata de lixo, como estava escrito. nenhum lamento sobre a louça derramada, uma despedida quase zen.

mas era manhã ainda. talvez até a tarde a mandala de cacos viesse a se justificar.

Sunday, September 02, 2007

o verdadeiro epílogo!




vc já não precisa se sentir traído, miserável, deprimido e frustrado pelo epílogo de deathly hallows, aquelas míseras últimas páginas, estilo "rapidinha", que jk rowling brindou seus milhões de fãs depois de dez longos anos de devoção.


leia o verdadeiro epílogo, surrupiado pelo famoso Inominável J. Lestrange, que arriscou a vida e a impecabilidade de seus trajes para trazer aos fãs a legítima história, guardada na indefectível pasta amarela, e renegada por jk, que cedeu aos apelos dos editores, do new york times e do CCDJCSP (conselho de combate à demonização dos jovens pelos comedores de sanduíche de pepino).


no
covil, of course.


a figura que ilustra este post é da autoria do Monsieur J. "1001-skills" Lestrange, com magnífica representação da Sra. Rowling.


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albus severus. tenha dó!

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Saturday, September 01, 2007

navegar é imprescindível




se vc não consegue se orgulhar por mais nada que seja brasileiro, sinta orgulho pela família schürmann.


assista o trailer


visite o site


e reveja seus propósitos.



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a ética em hp e porque os jovens a entendem




muito simples.


primeiro: porque, destituídos do vulgo senso crítico adulto -nome feio para mente fechada-, dispõem-se a ler esses livros, sem sucumbir ao bombardeio de ridicularização a que são submetidos os adultos que apreciam hp, nem esmorecer diante das 700 páginas com que metade dos volumes se apresenta.

segundo: para os jovens ainda não há uma trilha percorrida em suas almas que os afastem do sonho e do devaneio, coisa que acontece com os adultos, velhos demais para saber se divertir, preferindo encontrar satisfação no louvor dos outros ou próprio. estão abertos a aprender, ávidos por conhecer, disponíveis para o que lhes for oferecido.

terceiro e mais importante: os adultos que deveriam lhes apresentar o mundo com suas regras e fornecer ferramental para enfrentá-lo, valores humanos por exemplo, estão demasiadamente envolvidos em causar impressão aos outros, em adquirir bens e freqüentar shoppings e clubinhos, tarefas extenuantes que lhes roubam o tempo em que poderiam estar conversando com os filhos. deixam a educação a cargo dos professores que, além de lhes passar o conhecimento secular, também deverão lhes ensinar limites e valores.

na ausência moral dos pais, os jovens encontraram nos personagens e aventuras de hp lições preciosas de vida, dadas por ninguém menos que o professor de alexandre o grande.


sabidamente vivemos num mundo pleno de cinismo e profundamente estúpido. aquele que não sabe torna-se mestre, o que é negligente galga altos postos e os que não têm compaixão adquirem poder sobre os povos. até aí nenhuma novidade. o que chama a atenção é a constância na mídia de artigos de gente que não leu e não gostou meter o pau na obra que desconhece e, julgando-se muito importantes e acreditando que jamais serão desmascarados nas suas indeléveis negligência e ignorância, buscam ridicularizar aqueles que apreciam o que a série de livros de JK Rowling têm a oferecer. como são estúpidos, não foram capazes de reconhecer a filosofia clássica implicita nas entrelinhas. se você achava que os livros tratavam de magia, enganou-se. harry potter é sobre ética.


não admira não fosse reconhecida : há tempos anda desaparecida por estes lados da galáxia essa tal ética, embora não haja dia que não apareça um questionamento sobre a ética "dos outros" e os que menos a reconhecem (por jamais terem sido apresentados, i presume) são os primeiros a notar-lhe a ausência quando o assunto sai do seu quintal. a grama do vizinho não apenas é mais verde como o é por falta de ética dele. esse é o costumeiro blablablá dos ignorantes, muitos dos quais escondem-se sob o manto da invisibilidade do jornalismo crítico. em tempos esses, uma contradição em termos.

vários pensadores modernos, no entanto, não ignoraram a filosofia constante em hp. ao contrário, com o espírito humilde que marca um filósofo, debruçaram-se sobre os livros e puderam perceber que a trama --por si só rica e interativa, organizada em diversos planos narrativos-- encerrava conhecimentos milenares, não apenas em referências mitológicas mas em conteúdo filosófico.

mas eis que em Albus Dumbledore reencontramos Aristóteles, que apresenta as virtudes de um verdadeiro sábio.

diz Aristóteles, em Ética a Nicômacos: "O objeto da escolha é algo que está em nosso alcance e este é desejado após a deliberação. A escolha é, portanto, um desejo deliberado.
Mas como o fim é aquilo que desejamos e o meio aquilo que deliberamos e escolhemos, as ações devem concordar com a escolha e serem voluntárias. O exercício da virtude diz respeito aos meios, logo, a virtude está em nosso poder de escolha. Em outras palavras, podemos escolher entre a virtude e o vício, porque se depende de nós o agir, também depende o não agir. Depende de nós praticarmos atos nobres ou vis, ou então, depende de nós sermos virtuosos ou viciosos: "(...) O homem é um princípio motor e pai de suas ações como o é de seus filhos".

Dumbledore é também notório por suas virtudes: a coragem, a temperança, a liberalidade, a magnificência, o justo orgulho, a anonimidade, a calma, a veracidade, o espírito, a amabilidade, a modéstia, a justa indignação, a justiça. Todas essas são igualmente as virtudes morais apontadas por Aristóteles como desejáveis e passíveis de serem escolhidas pelo homem virtuoso.


a vida moral é um assunto de adultos.

então porque não são esses adultos a ensinar às crianças uma conduta pelo bem? foi preciso que uma escritora o fizesse -e angariasse tantos, milhões!, de leitores atentos e aficcionados. saiba que esses leitores foram chamados de "potterofrênicos" pelo colunista Giron, da revista Época. exatamente esses leitores que souberam ver nas entrelinhas da deliciosa trama a voz do sábio -não o sábio arquetípico mas o mestre de alexandre- a lhes ensinar as virtudes e a formação do caráter.

mesmo assim a fraqueza de caráter, para não dizer a ignorância, demonstrada pelos profissionais de mídia não nos causa estranheza visto que fomos suficientemente alertados pelo Profeta Diário, Rita Skeeter e Quibbler, dignos representantes da mídia de comunicação impressa no mundo bruxo. não estão os jovens ingênuos e despreparados diante da maledicência vazia. Aristóteles e Rowling deram seu recado ;)

mas devemos pesar o destino desses jovens, órfãos da presença dos pais, que dependem da inteligência e criatividade de escritores e artistas em geral a lhes obsequiar com esses limites e valores que nos faltam tão profundamente nesses dias de aquecimento global e corporações sem rosto que nos roubam nada menos que a vida.

:/


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"O confronto entre o bem e o mal, naturalmente, é a pedra angular da ética, como parte da filosofia, desde pelo menos Platão. Na "República", um dos interlocutores de Sócrates argumenta que a "justiça" é simplesmente o que beneficia os donos do poder e que o homem mais feliz do mundo será o mais perfeitamente mau."

por isso o maniqueísmo nunca sai de moda.

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(esta foi a segunda parte da
the quest for the truth)