Wednesday, September 19, 2007

no title yet




havia uma pilha de louça sobre o balcão da pia. pratos sobre pratinhos, sobre xícaras, sobre molheira, sobre pratos grandes, sobre copos, sobre pratos de sopa, sobre outra coisa. rosados, amarelos, azuis, brancos, mais brancos que outra cor, mantidos em frágil equilíbrio. mudos, antecipavam o momento que alguém se disporia a assumir a culpa. um movimento minúsculo daria início ao inevitável deslizamento da louça que se contorceria numa promessa de espetáculo e espalharia seus cacos por todo o piso de cerâmica. do barro ao barro. as colherinhas tilintariam pelo chão, dando a deixa para o choro incontível, que já era esperado. depois, os cacos seriam juntados e arrojados na lata de lixo, como estava escrito. nenhum lamento sobre a louça derramada, uma despedida quase zen.

mas era manhã ainda. talvez até a tarde a mandala de cacos viesse a se justificar.

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