
então a gente se pergunta para que isso tudo. busca uma resposta nas religiões, na filosofia, nas drogas, no ascetismo, na cabala, na bebida, na lingerie victoria secret, nos papos de bar, na psicanálise, no prozac, no metal melódico, no capitalismo, no espiritismo e por aí vai. cansados do consumismo imediatista, dos shoppings e da beleza de cabide, espera-se que ao final dessa longa jornada de trabalho semi-escravo haja um bom motivo, pelo menos uma resposta mais-ou-menos que justifique todas as tardes chuvosas que não ficamos na janela olhando a chuva cair e enfrentamos o trânsito, o frio, o telefone, os aborrecimentos e tudo de novo na volta apenas para ganhar uns mirradinhos num trabalho que odiamos. mas não há. lamento, não há um sentido pra vida. foi fortuito mesmo, um golpe de sorte ou de azar que nos colocou diante da possibilidade de aceitar o raciocínio como uma habilidade nova a ser desenvolvida. se tivéssemos feito a escolha mais sábia, seríamos orangotangos. mas não fizemos. escolhemos o fruto do conhecimento do bem e do mal sem direito a paraíso. somos como um jogo de moedas onde sorteamos o mais improvável e todas caíram com o desapontamento para cima. milhões de desapontamentos simultaneamente: uma improbabilidade estatística. agora, vagamos pelo universo totalmente sós e esperançosos de que, em outro canto da imensidão, outra espécie tenha feito as mesmas escolhas, tenha jogado as mesmas moedas com idêntica sofreguidão. pobre espécie essa, que torce para que outros - mesmo que tenham tentáculos e antenas ou oito olhos- tenham tido igual má sorte e estejam olhando para o céu nesse momento, imaginando - enquanto faz cálculos, cria teorias, confunde a realidade, cria padrões ridículos a serem seguidos como lei e leis para terem limites e alguma sensação de pertencimento- se existirão outros afortunados filhos de kzurcz perdidos no espaço.
* * *
trust me: i'm not o-fuckin-kay.
in space we're lost
:)
in space we're lost
:)
1 comment:
Ao menos temos um Richard e uma Kahlan para nos inspirar ^^
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