Sunday, October 19, 2008

movendo castelos




engraçado como uma coisa leva a outra e a gente vem a descobrir que o mundo está bem mais enredado do que pensava. isso se deve francamente devido a ignorância que, nessa era de superinformação, cresce em progressão geométrica. ou algo assim que você não consegue acompanhar.


eis que adorei a viagem de chihiro e logo quis conhecer outros trabalhos do diretor miyazaki. virei fã com o castelo animado e daí segui a procurar outros títulos. isso não apenas porque apreciei a abordagem dada à história, mas porque gosto muitissimo de animação. minha animação preferida antes de chihiro era toy story, que assisti dezenas de vezes junto com meus filhos e, antes disso, a bela adormecida, cujos backgrounds belissimos alia-se aos movimentos delicados. essa preocupação com o movimento detalhado mais do que contar rapidamente a história -e vc adivinhe ou invente o que está pelo meio- foi o que me atraiu no anime de miyazaki. é claro que há característica próprias do anime japonês, alguma brusquidão em certos momentos, o exagero nas feições ocasionalmente, um certo lapso na explicação em uma cena, o que deixa uma sensação de ter perdido algo que os outros sabem. compreensível e não chega a perturbar a leitura da obra. talvez possam preencher as lacunas eles, que acompanham animes com frequência, mas eu, que pulei nesse universo oriental quase diretamente do spectreman para chihiro, certamente desconheço. vantagens e desvantagens, como em tudo. determinada a não olhar as coisas com um ponto de vista holiudiano, aprecio o que me é apresentado como bem-vinda novidade.

acabei descobrindo um admirável mundo novo quando percebi que entre os animes mais toscos -- seja na forma seja no conteúdo, o que por si já os distancia enormemente uns dos outros -- há aqueles que buscam a delicadeza e expressividade do gesto como manifestação do conteúdo. entre eles, miyazaki mas não apenas. koji morimoto surpreende com beyond, um dos episódios constantes em animatrix, que apresenta inúmeros frames desnecessários para contar a história mas imprescindíveis para se fazer entender. esse cuidado na forma-conteúdo é que me faz seguir em busca de outros ótimos animes, que passem o mais remotamente da expressão imediatista e vazia dos usuais filmecos em voga.

a quick glance on it.

então. após howl's moving castle anime descobri o livro, que é bastante diferente da animação do studio ghibli mas muito interessante. passou a existir dois castelos para mim, o de diana wynne jones e o de miyazaki. são relacionados mas não são o mesmo, e ambos coexistem de forma independente na imaginação. é um desses raros casos em vc não se sente seguro ao afirmar "o livro é melhor" ou "prefiro o filme".

a sequência do castelo-livro, a castle in the air, é muito divertido embora pouco se veja de howl, sophie ou calcifer. a história se passa muito mais com abdullah atribulado numa possível persia, entre desertos, camelos, mercadores de tapetes e familiares muito pentelhos, em busca de sua amada sequestrada por um djin. o próximo, terceiro da série, the house of many ways, parece seguir a mesma idéia do segundo, onde os donos do castelo são personagens secundários. é uma pena. a relação entre howl e sophie é muito divertida, onde a seriedade e objetividade de sophie é contrabalançada pela aparente leviandade de howl.


(sophie é muito engraçada. em algum momento em castle in the air, sophie e abdullah conversam e ela descreve howl como vaidoso, egoísta e covarde; abdullah pergunta como ela pode amá-lo sendo ele tão cheio de defeitos, ao que sophie retruca: "como assim, defeitos? estou apenas descrevendo howl!)
estranhamente - ou nem tanto se vc se acostumou com traduções absurdas - o castelo animado tem uma categorização non-sense na edição do dvd: tema: relacionamento amoroso. é de rir pra não chorar a tosquissima definição de obra fantástica tão atraente.


:)

No comments: