Wednesday, October 07, 2009



esta bonequinha feita de lã me lembra minha mãe. ela era fofa e cheirosa.


* * *

Saturday, September 19, 2009

watchmen




nem sabia a cor dos olhos, que nunca fui muito de gibi. curti uma época o capitão marvel, batman e foi só. foi uma agradável surpresa, mais o filme que a HQ, que permaneço desconhecendo, o que se estenderá indefinidamente. mas gostei pra caramba do filme, mais dos canalhas que dos bonzinhos. e a trilha sonora é fodástica, especialmente uma halleluia parcial cantada por leonard cohen, o que indignou alguns e outros por motivos diferentes. como tô nem aí, até aprendi as cifras :)


nesse blog tem comentários muito mais pertinentes que o meu, por quem conhece o gibi e assistiu o filme.

seeya!


* * *


I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though It all went wrong

i know this... :/

Tuesday, September 15, 2009

vampiros em dallas




confesso que comprei o livro pela capa. havia visto esse livro na amazon (sei lá como!) mas, como não gosto de histórias de vampiro (exceções justificadas feitas ao filme de polanski e ao ótimo entrevista com o vampiro), não comprei. fiquei coçando mas resisti.
entro na saraiva e vejo a edição em português em promoção e com essa capa maravilhosa. aproveitei o bom momento apesar da plastificação alto-brilho que repuxa a capa como dondoca pós-lifting.

ilustração intrigante, não pude mais viver sem ela.

livro comprado fazer o que? como justificar minha compulsão por livros se não o lesse? fossem sapatos, ora bolas, seria perfeitamente compreensível e perdoável, mas livros? há de se os ler.
dito e feito, li-o. e é bem bom. é bem verdade que a moça autora parece ser uma versão feminina de dan brown e o livro um caça-níqueis, aproveitando a dolorosa onda de crepúsculo e outros horários do dia. a letra é grande (êê!), a entrelinha é igualmente grande, o formato é estúpido (16x23 dói a mão quando se lê deitado) e a capa é linda - mas acho que já tinho dito isso. a história é engraçadinha e a idéia de que vampirismo finalmente saiu das sombras da noite e passou a ser aceito socialmente e regularizado (leia-se pagar impostos) é, imagine, verossímil. ou vai dizer que vc não conhece um monte de vampiros a beber o sangue alheio? a protagonista e simpática e meio tarada, e a história tem de tudo um pouco, humor, suspense, ação, terror e sexo. a leitura é leve e envolvente e de fato, como diz no texto da quarta capa, vc se pega lendo mais um capitulozinho antes de apagar a luz. e outro.

pois é. mas aí que começam os problemas, iniciam-se os calvários. há erros de tradução assustadores e aquela sensação perturbadora de abandono da revisão. esta não compareceu e o tradutor teve de assumir suas deficiências sozinhos e, embora saiba inglês, o português ficou devendo.
não acho que tradutor tenha de saber português como um expert. ele precisa verter um língua estranha para palavras que podem não existir na própria, conceitos compreensíveis apenas no original. há até notas de rodapé neste livro -o que é bacana pois ninguém tem de saber outra língua ou estaria lendo no original e não o texto traduzido.

mas há escorregadelas bem engraçadas. como o dispositivo de irrigação do gramado. ah, peralá, quem não sabe o que é um sprinkler? a moça tropeçou no sprinkler, ok? a moça não tropeçou no dispositivo de irrigação do gramado porque isso é muito brochante. dá pra dormir enquanto ela tropeça e não veremos a queda.


já o osso malar é esse aqui, na cara, essa que a gente dá a tapa, também chamado de zigomático, e que as modelos aumentam para parecer mais altas e mais magras (como se fosse possível). não, esse não é o osso molar. o pior é que osso molar é repetido várias vezes e vai dando uma dor no estômago e vc se arrepende de não ter parado na salada. mas tudo bem, o/a revisor/a estava com sono depois do tropeço de sookie no dispositivo de irrigação do gramado.

tem mais.

vá sem expectativas e você pode se divertir. compre a capa! :)


olha, se eu pudesse dar um conselho a uma editora eu diria esqueça que existe o 16x23. esqueça! é uma porcaria de formato e só serve para aproveitamento de papel. ao contrário, sempre, sempre, sempre lembre de contratar um revisor e pagá-lo muito bem.


good day.

Saturday, August 08, 2009

lágrimas de pedra




é de tirar lágrimas de pedra o caso de stone of tears, segundo volume da série sword of truth, de terry goodkind, cujos direitos de publicação em língua portuguesa foi adquirido pela nefasta editora rocco. a editora não publica nem deixa ninguém publicar.


o primeiro volume, wizard's first rule -que recebeu a tradução literal mas muito feiosa de a primeira regra do mago- foi lançado em junho de 2006. os leitores de goodkind estão há 3 anos esperando pela continuação e não há nenhuma previsão nesse sentido.


ou seja, comprou da rocco, dançou.


isso os leitores de harry potter já sabiam. compraram caríssimo livros que perderam o hot stamping nos primeiros dias de manuseio, tiveram a capa despregada e cadernos que se soltaram. sem falar mas já falando da tradução que teria se beneficiado grandemente se um revisor tivesse colocado os olhos sobre o texto.


esse abandono e [usual] descaso é uma lástima, pois o segundo livro é ainda melhor que o primeiro e coloca os heróis em contato com dimensões outras, fato que possibilita discussões sobre vários aspectos da natureza humana, como a constância do caráter diante da passagem do tempo. é um livro divertido e surpreendente, que apresenta explicações inusitadas sobre a essência das profecias, e em nenhum outro momento da série goodkind será tão feliz ao abordar esse mundo mágico, muito embora os momentos excelentes ao longo dos demais 9 livros.


se você lê em inglês, faça bom proveito :)

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As grandes naturezas produzem grandes vícios, assim como grandes virtudes.
(Platão)

Friday, July 24, 2009

harry potter and the half-blood prince - the movie




hp6 não é meu livro preferido. após o livro 5, criei expectativas que não se confirmaram e, por isso, recebi o sexto livro com um certo sentimento de traição. perturbou-me o clima de namoricos quando a guerra estava deflagrada, bem como o comportamento de dumbledore, distante e inafetuoso. até muito depois de terminada a leitura ainda acreditava que o diretor não havia morrido e que retornaria para ajudar harry a vencer o dark lord.

essa esperança demonstra como estava envolvida com um conceito a respeito do que achava ser hp e que não correspondia à visão da autora. esse sentimento, longe de ser ingenuidade, se construiu devido a natureza incomum dessa série, que foi sendo acompanhada -e devorada- durante seu processo de criação. foi uma experiência inusitada para mim, acostumada com obras prontas, definitivas, na maioria de autores suficientemente mortos para serem dissecados sem arrependimentos.

já os filmes são outra história. gostei muito do primeiro filme, que achei fiel ao livro e me proporcionou uma visão em cores e formas de lugares que apenas imaginei como possibilidades. é um filme literal e por isso a crítica não gostou. agora, com o lançamento de hp6 a crítica se mostra receptiva e entende que este é o melhor dos filmes. coisa de quem não leu os livros.

não acredito que seja possível, lidos os livros, encarar a obra cinematográfica sem ressentimentos. não acredito em abstração. é bonito, parece bem adulto e talz, mas não rola. todo elemento, na minha concepção, determina uma leitura. um arranhão na tela pertence ao filme tanto quanto o roteiro, uma palavra colocada influencia a compreensão do todo. minha opinião de artista plástica (não querendo usar de argumentos de autoridade mas delimitando o campo de avaliação), cujo trabalho envolveu sutilezas de imagens que, embora praticamente invisíveis, constituiam o conjunto da obra. assim, o que lá está, mesmo não-intencional, apresenta a obra tanto quanto o que lá não está. a ausência é tão determinante quanto a presença.

aquilo que, dos livros, não está na tela também permitem uma leitura, mesmo que pressentida. mas o que lá está conduz o olhar do espectador para um entendimento que pode não corresponder a sua essência.

o que é essencial a harry potter, de forma que não deturpe o sentido original do trabalho de jk, não é consenso. o que entendo por essencial concentra-se em harry e sua jornada de identificação, de localização no mundo, e sua redenção. harry foi, afinal, culpado pela morte dos pais.

essa, pelo menos, é a visão de harry. não fosse ele predestinado a derrotar o dark lord, seus pais não teriam sido perseguidos e mortos. é claro que podemos entender que a culpa é de sibila, que fez a profecia, ou de snape, que contou a voldemort, ou do próprio voldemort cuja ambição e crueldade não poupou a ninguém que tenha se interposto no caminho. mas para harry ele é o responsável e é essa culpa que determina sua conduta temerária ao longo da trama, que o impulsiona a descobrir os meios para enfrentar seu algoz. harry precisa de remissão.

se esse percurso de solidão -e ele está sempre só, apesar dos amigos, pois o destino é tão somente dele- que harry percorre não estiver na película há um lapso fundamental. e, apesar da muitas ressalvas que faço ao filme, admito que está lá.

lamento muitas cenas que foram retiradas para caber nas duas horas e e meia de projeção -tempo limite que uma criança consegue ficar sentada num cinema-, cenas que ficaram apenas na minha cabeça (como a conversa entre dumbledore e harry dentro do armário de vassouras, na toca); houve um certo excesso de gravações na torre -como se tivesse faltado locação para gravar- e a total incapacidade de emma watson em representar, limtando-se a esfregar as mãos e encolher as sobrancelhas, como se estivesse de calça branca, menstruada e sem absorvente.

mas tem cenas excelentes. na caverna, uma cena muito forte de harry e dumbie, wizard fire dando um colorido ausente durante o restante do filme (muito embora os inferis tenham sido ridículos); o diálogo entre draco e dumbledore na torre de astronomia; a feitura da poção com o auxílio do livro emprestado do prince; o encontro de tom e o diretor, no orfanato.

é um filme bastante arrastado, com muita conversa em ambientes escuros, chato frequentemente. mas é um filme, queria o que? textura, profundidade, personalidade, emoção... isso está nos livros.

farei uma sessão harry potter com pipoca para comemorar e rememorar um período muito divertido da minha vida. talvez até reveja hp6 e mude de idéia, apesar de não ter mudado com relação aos filmes 3 e 5. but who knows?