Friday, July 24, 2009

harry potter and the half-blood prince - the movie




hp6 não é meu livro preferido. após o livro 5, criei expectativas que não se confirmaram e, por isso, recebi o sexto livro com um certo sentimento de traição. perturbou-me o clima de namoricos quando a guerra estava deflagrada, bem como o comportamento de dumbledore, distante e inafetuoso. até muito depois de terminada a leitura ainda acreditava que o diretor não havia morrido e que retornaria para ajudar harry a vencer o dark lord.

essa esperança demonstra como estava envolvida com um conceito a respeito do que achava ser hp e que não correspondia à visão da autora. esse sentimento, longe de ser ingenuidade, se construiu devido a natureza incomum dessa série, que foi sendo acompanhada -e devorada- durante seu processo de criação. foi uma experiência inusitada para mim, acostumada com obras prontas, definitivas, na maioria de autores suficientemente mortos para serem dissecados sem arrependimentos.

já os filmes são outra história. gostei muito do primeiro filme, que achei fiel ao livro e me proporcionou uma visão em cores e formas de lugares que apenas imaginei como possibilidades. é um filme literal e por isso a crítica não gostou. agora, com o lançamento de hp6 a crítica se mostra receptiva e entende que este é o melhor dos filmes. coisa de quem não leu os livros.

não acredito que seja possível, lidos os livros, encarar a obra cinematográfica sem ressentimentos. não acredito em abstração. é bonito, parece bem adulto e talz, mas não rola. todo elemento, na minha concepção, determina uma leitura. um arranhão na tela pertence ao filme tanto quanto o roteiro, uma palavra colocada influencia a compreensão do todo. minha opinião de artista plástica (não querendo usar de argumentos de autoridade mas delimitando o campo de avaliação), cujo trabalho envolveu sutilezas de imagens que, embora praticamente invisíveis, constituiam o conjunto da obra. assim, o que lá está, mesmo não-intencional, apresenta a obra tanto quanto o que lá não está. a ausência é tão determinante quanto a presença.

aquilo que, dos livros, não está na tela também permitem uma leitura, mesmo que pressentida. mas o que lá está conduz o olhar do espectador para um entendimento que pode não corresponder a sua essência.

o que é essencial a harry potter, de forma que não deturpe o sentido original do trabalho de jk, não é consenso. o que entendo por essencial concentra-se em harry e sua jornada de identificação, de localização no mundo, e sua redenção. harry foi, afinal, culpado pela morte dos pais.

essa, pelo menos, é a visão de harry. não fosse ele predestinado a derrotar o dark lord, seus pais não teriam sido perseguidos e mortos. é claro que podemos entender que a culpa é de sibila, que fez a profecia, ou de snape, que contou a voldemort, ou do próprio voldemort cuja ambição e crueldade não poupou a ninguém que tenha se interposto no caminho. mas para harry ele é o responsável e é essa culpa que determina sua conduta temerária ao longo da trama, que o impulsiona a descobrir os meios para enfrentar seu algoz. harry precisa de remissão.

se esse percurso de solidão -e ele está sempre só, apesar dos amigos, pois o destino é tão somente dele- que harry percorre não estiver na película há um lapso fundamental. e, apesar da muitas ressalvas que faço ao filme, admito que está lá.

lamento muitas cenas que foram retiradas para caber nas duas horas e e meia de projeção -tempo limite que uma criança consegue ficar sentada num cinema-, cenas que ficaram apenas na minha cabeça (como a conversa entre dumbledore e harry dentro do armário de vassouras, na toca); houve um certo excesso de gravações na torre -como se tivesse faltado locação para gravar- e a total incapacidade de emma watson em representar, limtando-se a esfregar as mãos e encolher as sobrancelhas, como se estivesse de calça branca, menstruada e sem absorvente.

mas tem cenas excelentes. na caverna, uma cena muito forte de harry e dumbie, wizard fire dando um colorido ausente durante o restante do filme (muito embora os inferis tenham sido ridículos); o diálogo entre draco e dumbledore na torre de astronomia; a feitura da poção com o auxílio do livro emprestado do prince; o encontro de tom e o diretor, no orfanato.

é um filme bastante arrastado, com muita conversa em ambientes escuros, chato frequentemente. mas é um filme, queria o que? textura, profundidade, personalidade, emoção... isso está nos livros.

farei uma sessão harry potter com pipoca para comemorar e rememorar um período muito divertido da minha vida. talvez até reveja hp6 e mude de idéia, apesar de não ter mudado com relação aos filmes 3 e 5. but who knows?

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