Os esforços intensivos que tem sido empreendidos pelos Estados Unidos a fim de capturar Snowden revelam mais do que se pode depreender a principio. Embora o que ele tenha feito não possa ser considerado traição ao país, assim vem sendo tratado. Seria traição se ele tivesse entregue segredos ao inimigo; entretanto, o que Snowden fez foi mostrar "quem" era o inimigo -- ou começar a mostrar. Ao revelar ao seu povo, e ao resto do mundo, que estavam todos efetivamente sendo vigiados, Snowden passou a ser um homem morto. Os Estados Unidos chegaram ao exagero de ameaçar, como um valentão de escola --característica notável da cultura desse país--, países europeus que aquieceram, aparentemente sem pestanejar, às exigências de negação de asilo político e favorecimento na captura do fugitivo. França, Espanha, Portugal e Itália chegaram a encarar um incidente diplomático sem precedente ao negar espaço aéreo ao presidente eleito Evo Morales apenas por terem recebido um aviso de que Snowden se encontrava na aeronave.
Então se você acredita que os Estados Unidos estão apontando seus misseis aos paises europeus que não estão trabalhando diretamente com a NSA, caso da Alemanha, porque um funcionário revelou o que todo mundo sabia, como diz James Bamford, você está se iludindo. Primeira ilusão é acreditar na honra de um governo que espiona sua nação; segunda ilusão é achar que Snowden terá um julgamento justo caso se entregue ou seja capturado. A terceira é achar que tudo isso é porque o que todo mundo sabia, ou intuia, foi revelado. Tem mais e é muito mais perigoso para o governo dos Estados Unidos do que nos fazem entender.
Entrevista original de James Bamford.

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