
a dama na água não é nada do que eu esperava. pra começar, pensei que teria mais água. bem mais água. não há. toda ela se concentra numa piscina de formato esquisito e no chuveiro da casa de cleveland. depois, esperava efeitos especiais incríveis. neca. o cachorro gramoso é ridículo. esperava mais azul e me achei num condomínio, coisa que detesto visto ser um lugar cheio de gente. esperava um shyamalan e .... aí que a vaca torce o rabo.
era tolo, mas cleveland me convenceu a ficar e ouvir o discurso. substância costuma ter esse efeito dizzing em mim, coisa de românticos. embora sua história pessoal viesse à tona em dado momento, não estava interessada em fatos, discutíveis, mas em ouvir um pouco mais do som que a profundidade costuma apresentar. a história tem altos e baixos, é oscilante e non-sense, logo estava navegando na indecisão, sem conseguir classificar o filme. bom pra mim, ruim pros meus miolos que ainda buscam uma definição e uma conclusão.
não há conclusão. é uma história de ninar transposta para um lugar improvável, onde as criaturas mais inverossímeis são os normais, dessas que a gente encontra todo dia, na padaria, no shopping, no caminho do trabalho. e essas pessoas são escolhidas para salvar o mundo. só podia dar merda. ou não. o decodificador é uma criança, os sinais da transcendência chegam em caixas de cereais, o curandeiro é um ex-médico, o conselho -que nada fez- são sete mulheres, das quais cinco nunca vimos antes, uma é irmã do salvador outra é interprete da mãe esquisita e a única que conhece a história. pois a única que conhece a história, a lenda original, não a transmite porque fala outra língua e acaba que a interpretação gera controvérsias e equívocos que, no final das contas, não interfere em nada na finalização da trama. se vc não entendeu e fez tudo errado, não faz diferença pois, no fim, tudo dará certo. hm. isso me lembra a vida real, por que será? além disso, não é de verdade mesmo. exceto pelo crítico. ele é real e é comido pelo cachorro verde. bem feito. quem mandou apontar as fórmulas espúrias e blablabentas que existem nos filmes? morra, maldito.
mesmo assim, gostei. não correspondeu à minha expectativa e isso é ponto a favor, penso eu. como não considero o mundo uma extensão do meu ego, fico feliz ao encontrar algo diferente de mim, das minhas idéias e interpretações.
já ia finalizar o comentário com acidez quando lembrei das coisas sem nome.... mas não é todo dia que acordo sensível. às vezes estou impregnada pelo mundo e esqueço, até que borges me recorde, que há tempos imperceptíveis e mensagens sem moral. e histórias de ninar que nos dizem para não falar com estranhos.
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...mas o que é o homem, quintessência do pó?
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