
em tenra idade somos influenciados pelo meio. a socialização se dá pela aquisição da linguagem e através do convívio com os demais, quando criaremos um imaginário pessoal que incluirá, em níveis mais profundos, a base da personalidade. essas influências não se resumirão às pessoas de carne e osso que encontraremos pela vida mas, em muita medida, pelas personagens que porventura tenham cruzado nosso caminho.
lembro ter sido influenciada por personalidades fortes, normalmente mulheres que não aceitavam a sujeição. muitas eram figuras de filmes que assisti quando criança, como várias das atuações de katherine hepburn bem como de ann bancroft. dessa, marca profunda ficou de um filme que reuniu dois dos assuntos que mais interessam a mim, livros e memória, no já clássico 84 Charing Cross Road, vertido como nunca te vi, sempre te amei. a película é de 1986 e brancroft contracena com anthony hopkins, num delicado e intenso drama onde as personagens amam-se sem jamais terem se encontrado, aproximados que foram pelo amor que ambos nutrem pelos livros, numa relação alimentada por meio de cartas. um oceano de distância e distância alguma.
porque alguns personagens marcam tão profundamente? philip, de servidão humana, tem um defeito físico que o torna motivo de escárnio e lhe torna inseguro diante das decisões que a vida exige. sua redenção se dará pela compreensão do sofrimento e sua aceitação, o que possibilitará transcender as limitações e o libertará enfim. é uma jornada do herói, onde o herói é basicamente um fraco e não desenvolverá poderes extraordinários que não o de adquirir auto-conhecimento e usufruir de autosuperação. mas não serão estes poderes extraordinários?
em harry potter, o herói adquire e desenvolve poderes mágicos, atravessa um sem-fim de dificuldades. é ridicularizado, perseguido, injustiçado, traído, abandonado, maltratado, discriminado etc. seus poderes podem muito pouco diante da enormidade da tarefa que tem diante de si: por fim aos mal-feitos de seu arqui-inimigo lord voldemort, um mestiço com profundo sentimento de inferioridade. nosso herói também o tem mas -e eis onde a jornada finalmente culmina- vem a superá-lo, sem perder a ternura e a modéstia que as adversidades lhe proporcionaram.
vai que depende em que solo cai a semente. uma mesma pode vingar em solo pobre como fenecer em solo rico. não há uma regra exceto de que são nossas escolhas que nos mostram quem somos e não o que pensamos ser ou aquilo que o mundo apregoa. é a mesma jornada de philip, que encontrou, senão grandes aventuras, seguramente a si mesmo.
atribuir a harry/rowling menos reconhecimento do que aquele concedido a philip/maugham é discriminação vazia, como via-de-regra é toda discriminação.
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críticos, beware!
trespassers will be shot
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to be continued
a ética em hp e porque os jovens a entendem
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